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Política

Palácio do Planalto

Lava Jato sequestrou agenda do governo, avalia Planalto

No Palácio do Planalto, uma avaliação é voz corrente: o governo foi “sequestrado” pela agenda da Operação Lava Jato. Sem conseguir sair da crise política e com a investigação da Polícia Federal avançando sobre quem poderia lhe dar apoio, a presidente Dilma Rousseff perde pouco a pouco seus últimos fiadores e vive uma situação considerada insustentável até mesmo pelo PT.

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Vera Rosa

12 Março 2016 | 08h33

“Por favor, pelo menos testemunhem que eu não tenho cara de quem vai renunciar”, disse ontem aos jornalistas uma presidente 17 quilos mais magra, com um sorriso nos lábios. A frase marca a tentativa praticamente solitária de Dilma de reagir ao agravamento da crise, na véspera da convenção nacional do PMDB, que ameaça se afastar do governo.

Apesar das declarações da presidente, os sinais no Planalto são de deterioração. O governo está atônito com os desdobramentos das delações premiadas, que atingiram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT e batem à porta do Planalto. Na prática, ninguém mais sabe o que fazer para evitar o impeachment.

Até mesmo no Senado, onde Dilma tinha mais apoio, os aliados já começam a virar-lhe as costas. Na quarta-feira, por exemplo, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), sugeriu a ela um modelo “semipresidencialista”, semelhante ao parlamentarismo, como tábua de salvação.

Dilma ficou assustada. Embora a mudança tenha de passar pelo crivo do Congresso, por meio de emenda constitucional, a simples menção do tema mostra como o governo está fragilizado. Não é só: a proposta foi articulada por Renan com o senador José Serra (PSDB-SP). Conta com o aval da oposição e de fatia expressiva da base aliada.

Os movimentos de Renan foram feitos com conhecimento de Lula. Naquele dia, o senador foi anfitrião de um café da manhã com o ex-presidente, conversou à tarde com Dilma e jantou com tucanos, na casa do colega Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Os sinais de afastamento dos aliados não param por aí. Nesta semana, o senador Blairo Maggi (MT) – que assinou ficha de filiação ao PMDB em novembro, mas continua no PR – postou um vídeo nas redes sociais no qual pede que as pessoas saiam às ruas contra Dilma, no domingo. “O Congresso Nacional só se mexerá se tiver um apoio popular bastante forte”, disse ele. Em dezembro, Blairo chegou a ser cotado até mesmo para o lugar do senador Delcídio Amaral (PT-MS), que era líder do governo e foi abatido pela Lava Jato. Hoje, a velocidade da debandada aflige o Planalto.

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