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Lava Jato: investigado foi demitido após eleição de 2010

SABRINA VALLE - Agência Estado

07 Abril 2014 | 20h 00

Cristian Silva, ex-executivo da construtora Jaraguá que aparece nas investigações da operação Lava Jato da Polícia Federal (PF), foi demitido da fornecedora de equipamentos dois dias depois do primeiro turno das eleições presidenciais de 2010. O dono da Jaraguá Equipamentos, Álvaro Garcia, informou à reportagem tê-lo demitido por "divergências de pensamento", em 5 de outubro de 2010.

Silva era um dos quatro vice-presidentes da Jaraguá, empresa com contratos com a Petrobras para fornecer equipamentos pesados à estatal, como sistemas de processamento para refinarias. O executivo aparece nas investigações da PF em uma troca de e-mails, discutindo doação de campanha com o doleiro Alberto Yousseff, preso pela Polícia Federal desde o dia 17 de março.

O doleiro é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, em esquema ligado ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, também preso na operação Lava Jato. Como diretor da área de Abastecimento, Costa era responsável pelos investimentos em refinarias da estatal. Silva é hoje diretor da Gaia, consultoria com contratos ativos com a Petrobras, por exemplo, na administração de dados para a área de exploração de produção da companhia. O executivo não foi encontrado nesta segunda-feira, 7, no escritório, nem retornou pedido de entrevista.

Reportagem do "Estado" revelou que Yousseff teria intermediado doações em 2010 para políticos do PP e PMDB. A Jaraguá declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) naquele ano doação de R$ 100 mil. O valor coincide com o citado nos e-mails de Silva com o doleiro sobre suposta doação de campanha para Pedro Henry (PT-MT). O e-mail enviado por Silva ao doleiro informa os dados da empresa que devem constar no recibo de pagamento.

Além de Silva, também citado nas investigações Othon Zanoide de Moraes Filho, executivo da construtora Queiroz Galvão. Zanoide aparece nos e-mails trocando informações sobre dados para emissão de recibos. O executivo permanece na empresa como diretor-geral de desenvolvimento comercial. A construtora negou irregularidades.

"A Queiroz Galvão esclarece que as doações eventualmente feitas para campanhas políticas obedecem estritamente a legislação aplicável", disse, em nota.