Lava Jato influencia eleição para chefiar Ministério Público

Atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot enfrenta a rejeição de políticos investigados e é considerado o favorito

TALITA FERNANDES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

21 Junho 2015 | 02h04

Os rumos da Operação Lava Jato serão o principal componente da eleição para a Procuradoria-Geral da República, cuja campanha começou nesta semana. O atual chefe do Ministério Público, Rodrigo Janot, que já enfrenta rejeição de políticos - como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por tê-los incluído no rol de investigados -, também precisará derrotar adversários internos.

O mandato de Janot se encerra em 17 de setembro. A eleição ocorre em 5 de agosto. Depois da votação, uma lista com três nomes é apresentada à presidente Dilma Rousseff, que escolherá um dos candidatos para ocupar o cargo de procurador-geral. O nome indicado por Dilma passa ainda por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e por aprovação pelo plenário do Senado.

Além de Janot, candidataram-se os subprocuradores Carlos Frederico Santos, Márcio Bonsaglia e Raquel Dodge. Internamente, Raquel é vista como uma oposição moderada à Janot, Bonsaglia como aliado e Frederico como o candidato de oposição. Ele se define como "crítico" à atual gestão. "Uma das coisas que eu vejo com crítica é a forma de proceder na Lava Jato no STF. Há uma demora muito grande em relação a isso e a sociedade necessita de uma resposta rápida", disse Frederico em entrevista ao Estado.

Para alguns procuradores, o candidato é o "Eduardo Cunha da PGR". Além da postura de oposição a Janot, semelhante à de Cunha em relação à presidente Dilma Rousseff, a associação de Frederico ao peemedebista se deve pelo fato de ele ter ocupado a secretaria-geral da Procuradoria quando Antônio Fernando Souza, advogado de defesa de Cunha na Lava Jato, era o procurador-geral da República. Ele confirma a amizade com Antonio Fernando, mas nega conhecer Cunha.

Considerada oposição moderada a Janot, Raquel Dodge tem entre seus objetivos adequar a atividade do Ministério Público Federal à obtenção das metas do milênio - melhorias em educação, cidadania, saúde e direitos humanos. Advoga que seja combatida a corrupção, especialmente em casos em que haja prejuízo para a população, como desvio de recursos para construção de creches e hospitais.

Bonsaglia se apresenta como candidato "independente", mas sua candidatura é vista como próxima a Janot - diz que é preciso "preservar e fazer avançar boas iniciativas em curso atualmente" e que "a estrutura de apoio ao PGR, criada na atual gestão, é de ser mantida".

Embora tenha evitado responder diretamente às críticas, Janot reconheceu na carta de apresentação de sua candidatura que o Ministério Público tem sofrido ameaças e que este é um momento crítico. Nos bastidores da Procuradoria, há expectativa de que ele possa ter um triunfo na disputa: a primeira denúncia de um político investigado na Operação Lava Jato, que deve ocorrer entre julho e agosto. O prazo para as investigações expira no fim do mês, quando o procurador-geral deve decidir se pede nova prorrogação de prazo para investigar, se oferece denúncia ou arquiva o inquérito contra alvos das apurações. /COLABOROU BEATRIZ BULLA

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