Laudo sobre notas de Renan pode não ficar pronto até terça

PF diz que laudo será parcial, já que o senador não é alvo de investigação. Reunião do Conselho de Ética é na terça-feira, mas perícia fiscal leva, em geral, uma semana

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 14h34

Uma equipe de peritos da Superintendência da Polícia Federal em Alagoas começou no domingo, 17, a analisar a situação fiscal das empresas que teriam comprado gado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), segundo relação que ele entregou ao Conselho de Ética do Senado. A PF advertiu, no entanto, que o trabalho pode não ficar pronto a tempo de subsidiar a reunião do Conselho de Ética que votará a abertura de processo contra Renan, marcada para terça-feira, 19, o que pode provocar um novo adiamento da votação. A análise começou com um exame no banco de dados da Secretaria de Fazenda. O trabalho prossegue nesta segunda-feira, 18, com o auxílio de auditores da Fazenda estadual. A PF não está autorizada a interrogar os responsáveis pela emissão das notas, pois o caso não tem inquérito aberto. A análise se limitará a responder às indagações do Senado sobre a autenticidade dos documentos apresentados pelo senador, explicou a assessoria da PF. Para acompanhar o trabalho dos peritos o diretor da Secretaria de Controle Interno do Senado, Shalom Granado, viajou no domingo a Maceió. O laudo da PF será parcial e não emitirá juízo de valor sobre a inocência ou a culpa de Renan no processo em que é acusado de quebra de decoro parlamentar. A PF informou que o senador não é alvo de investigação, o que dependeria de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise, portanto, se restringirá a uma contabilidade simplificada para checar se são autênticos os documentos de defesa que ele apresentou. Renan entregou ao Senado cópias de notas fiscais, recibos e guias de transporte de animais para provar que o dinheiro usado para quitar despesas pessoais com a jornalista Mônica Veloso era de seu bolso, e não bancado pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. A assessoria da PF explicou que normalmente uma perícia fiscal demora uma semana, no mínimo. Mas, como se trata de laudo parcial para atender a uma demanda urgente do Senado, ela poderá ser concluída em menos tempo. Mas uma dificuldade adicional é que o trabalho estava sendo realizado num fim de semana. Os documentos apresentados por Renan mostram que ele arrecadou R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com a venda de gado. Os peritos verão se os documentos estão dentro do prazo de validade, se têm origem legal e se contêm rasuras, falsificações ou outros meios fraudulentos de emissão.

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