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Justiça manda para Supremo documentos sobre Vargas e doleiro

Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2014 | 20h 22

Juiz federal Sérgio Fernando Moro, de Curitiba, vê 'indícios' de ligação de parlamentar com laboratório controlado por Alberto Youssef

SÃO PAULO - A Justiça Federal no Paraná mandou nesta terça feira,13, ao Supremo Tribunal Federal (STF) relatório sobre o deputado licenciado André Vargas (sem partido-PR) e seu relacionamento com o doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Como parlamentar, Vargas tem prerrogativa de foro perante o STF, instância judicial que pode autorizar investigação sobre deputados federais.

A Lava Jato é uma investigação sobre “grande esquema” de lavagem de dinheiro, que pode ter alcançado R$ 10 bilhões. A PF interceptou contatos entre o doleiro e o deputado, pelo menos 270 mensagens pelo black berry.

No despacho em que remete essa parte da investigação ao Supremo, o juiz federal Sérgio Fernando Moro, de Curitiba, assinala que existem “indícios” de que o parlamentar tem participação na empresa Labogen Química Fina, laboratório cujo verdadeiro controlador é Youssef, segundo a PF.

O Labogen, segundo a PF, foi usado por Youssef para tentar se infiltrar no Ministério da Saúde e obter contrato milionário para fornecimento de medicamento. Vargas, suspeita a PF, teria agido em favor do Labogen, a pedido do doleiro, para abrir as portas na Saúde.

Defesa. O criminalista José Roberto Batochio, constituído por Vargas para cuidar de sua defesa, informou que o parlamentar conhece Youssef desde a infância, na cidade de Londrina (PR). Mas negou taxativamente que Vargas tenha algum tipo de sociedade com o doleiro. “André Vargas tem origem em uma família muito humilde, sempre levou uma vida modesta”, afirma Batochio.

O deputado licenciado possui patrimônio de R$ 850 mil, entre bens móveis e imóveis, segundo informou o criminalista. Ele disse que não há nenhum item patrimonial de Vargas em nome de terceiros. “Podem pesquisar a família inteira. André Vargas e Youssef se conheceram na infância, depois cada um seguiu o seu caminho. Youssef se transformou no homem do Banestado (escândalo de evasão de divisas nos anos 1990), cumpriu pena e reapareceu como reabilitado pelo Poder Judiciário”, destaca Batochio.

O advogado afirmou que as declarações de imposto de renda do deputado “estão disponíveis”.“É absolutamente falso que Vargas tenha participação no Labogen ou qualquer outro negócio de Youssef. O que há entre eles é apenas uma aproximação social.”

Batochio argumenta que é rotina na vida de um deputado fazer indicações, em referência ao Labogen. “É uma coisa normal que uma indústria de tratores procure o deputado da região onde ela está instalada para fazer indicação a algum governo.”