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Justiça aceita denúncia por droga no helicóptero

Marcelo Portela - O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2014 | 21h 21

Acusados de transportar cocaína vão responder processo; TRF vai avaliar situação de deputado mineiro dono da aeronave

Belo Horizonte - A Justiça Federal acatou a denúncia do Ministério Público Federal contra cinco acusados de envolvimento com o tráfico de quase meia tonelada de cocaína apreendida em um helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG), em novembro do ano passado, no município de Afonso Cláudio (ES).

O juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa, da 1.ª Vara Federal em Vitória (ES), também determinou que a Procuradoria Regional da República junto ao Tribunal Regional Federal da 2.ª Região seja notificada do caso para avaliar a situação do deputado estadual de Minas Gustavo Perrella (SDD), filho do senador e um dos proprietários da Limeira Agropecuária e Participações Ltda., em nome da qual está registrada a aeronave. O magistrado manteve a apreensão do helicóptero, hoje à disposição do governo capixaba.

Na denúncia, o MPF havia solicitado o desmembramento do inquérito da Polícia Federal, no qual o deputado mineiro consta como testemunha, assim como sua irmã Carolina Perrella e um primo deles, André Oliveira Costa, sócios da Limeira. O juiz concordou que a situação do parlamentar, que tem foro privilegiado, deve ser analisada pela Justiça de segunda instância, mas não há necessidade de separar a apuração.

Processo. Com a decisão, o piloto do helicóptero, Rogério Almeida Antunes, ex-funcionário da Limeira e da Assembleia Legislativa de Minas por indicação de Gustavo Perrella; o copiloto Alexandre José de Oliveira Júnior, dono de uma escola de pilotagem em São Paulo; Robson Ferreira Dias e Everaldo Lopes de Souza, responsáveis por descarregar a cocaína; e Elio Rodrigues, dono da propriedade onde ocorreu a apreensão, vão responder processo por tráfico e associação para o tráfico, que podem render punição de mais de 25 anos de prisão.

O advogado de Zezé Perrella, Antônio Carlos de Almeida Castro, afirmou ao Estado que vai tentar reaver a posse da aeronave. Os advogados dos demais réus não foram localizados ontem. A Justiça determinou que os representantes dos acusados sejam notificados da decisão para apresentar defesa prévia em até dez dias.