Yasuyoshi Chiba/AFP
Yasuyoshi Chiba/AFP

Bastidores: Jungmann diz que não deixa o cargo

Desembarque do ministro da Defesa foi comunicado por seu partido, mas foi reavaliado por deputado licenciado do PPS ter comando das Forças Armadas

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2017 | 18h35

BRASÍLIA – O ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), distribuiu nota oficial nesta tarde de quinta-feira, 18, informando que não deixará o cargo. Desde cedo circulavam notícias de pressões do seu partido, o PPS, de que ele se afastaria das funções. A situação de Jungmann, no entanto, era um pouco mais delicada do que os demais ministros, por se tratar de um cargo que tem sob seu comando as Forças Armadas. Os comandantes militares conversaram com Jungmann durante todo o dia. O gesto tem uma importância política. Os militares não pretendem se pronunciar sobre a situação política do País, mas estão acompanhando a evolução dos fatos com atenção.

Na nota, Jungmann diz que “face às notícias divulgadas pela imprensa”, o ministro da Defesa “comunica que permanece no cargo, no pleno exercício da direção superior das Forças Armadas, em cumprimento das funções para as quais foi nomeado pelo Senhor Presidente da República”.

Bastidor. Depois de se reunir com os comandantes militares, em seu gabinete, Jungmann foi para o Palácio do Planalto atender a um chamado de Temer. Na conversa, o ministro confirmou ao presidente que permaneceria no cargo, apesar da resistência de seu partido, o PPS, em continuar no governo. O ministro da Cultura, Roberto Freire, também do PPS, estava disposto a deixar o governo e tentava levar Jungmann, mas não obteve sucesso.

Jungmann assistiu ao pronunciamento de Temer ao lado dos comandantes e reiterou a eles que não deixaria a pasta. Avisou ainda que já tinha repassado a informação ao presidente e que iria distribuir uma nota pública, anunciando sua decisão, para rebater as notícias divulgadas sobre sua saída. Para o ministro, de acordo com interlocutores, a decisão de ficar não passava apenas pela esfera partidária. Havia a questão de estabilidade, já que tem subordinado à sua pasta, as Forças Armadas.

A avaliação da cúpula militar é de que as Forças Armadas não têm nada a fazer nesse caso, a não ser acompanhar a evolução dos fatos e passar o máximo de normalidade ao País. A decisão de Jungmann permanecer no cargo é considerada positiva pelos militares, neste momento, porque ela contribui para a garantir a estabilidade do País. A intenção das Forças é mostrar que os militares estão aí apenas para assegurar esta estabilidade, fora de qualquer articulação política.

No encontro, as impressões foram de que a fala de Temer foi “firme”, “contundente”, “convincente” e “curta, como deveria ser”. A partir daí, explicaram militares ouvidos pelo Estado, era esperar como o meio político reagiria, embora o entendimento inicial deles era de que não haveria debandada e os ministros se manteriam ao lado de Temer, pelo menos por enquanto. Os militares lembram, no entanto, que a situação tem evoluído quase que de hora em hora, a cada novo fato que surge. Com isso, acham que as novas apurações e divulgações é que definirão o rumo político que vai ser seguido.

No governo, diante da crise, começaram a circular informações de que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim seria procurado como uma possibilidade de saída, caso a situação se tornasse insustentável. Mas é unânime a avaliação de que a situação política de Temer “é muito difícil” e todos esperavam a divulgação das fitas com os áudios da conversas do presidente com o executivo da JBS, Joesley Batista. Para os militares, a situação ficou mais crítica com a decisão do STF de abrir processo contra o presidente. Os militares estao acompanhando a situação em todo o País.

Desde cedo, Jungmann estava mantendo contanto com os comandantes e sinalizando que não pretendia deixar o cargo. Combinaram uma reunião para depois do almoço, quando as coisas estariam mais claras, aproveitando uma agenda previamente marcada. Os comandantes não devem deixar Brasília nos proximos dias, a pedido de Jungmann.

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