Julgamento de acusados de participar da chacina de Unaí deve terminar no sábado

Dois acusados de serem os mandantes do assassinato de quatro funcionários do Ministério do Trabalho começou nesta terça e deve ir até o final da semana

Leonardo Augusto, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2015 | 19h27

Belo Horizonte - O julgamento de dois acusados de serem os mandantes dos assassinatos dos quatro funcionários do Ministério do Trabalho no dia 28 de janeiro de 2004, em Unaí, Região Noroeste de Minas, começou nesta terça-feira, 27, com a defesa de um dos réus, o fazendeiro Norberto Mânica, desqualificando as investigações feitas pela Polícia Civil, que atou no caso junto com a Polícia Federal.

Além de Norberto, também começou a ser julgado José Alberto de Castro, acusado de ter intermediado a contratação de pistoleiros para os assassinatos. O crime ficou conhecido como a chacina de Unaí. Foram mortos os fiscais Nelson José da Silva, João Batista Lages e Erastótenes de Almeida Gonçalves, além do motorista Ailton Pereira de Oliveira, dentro de uma caminhonete do Ministério do Trabalho em uma estrada da zona rural de Unaí, enquanto trabalhavam na fiscalização de fazendas da região.

Em depoimento na condição de testemunha de acusação, o delegado Wagner Pinto de Souza, responsável pelas investigações pela Polícia Civil, disse que, momentos depois dos assassinatos, que ocorreram por volta das 8h30 da manhã, José Alberto de Castro teria telefonado para Norberto em sua fazenda para supostamente informar sobre os assassinatos.

O advogado de Norberto Mânica, Antônio Carlos de Almeida Castro, disse que não Norberto, mas funcionários da fazenda teriam atendido a chamada. "José Alberto de Castro trabalha com Norberto. Era responsável pela emissão de notas fiscais das vendas de grãos da fazenda. Naquele dia, estavam sendo entregues 400 toneladas de milho. Caminhões estavam sendo carregados. O telefonema foi para negócios, e nós vamos provar isso ao longo do julgamento", disse.

Além do delegado, também foi ouvida nesta terça, como informante, Elba Soares da Silva, companheira de um dos fiscais mortos, Nelson José da Silva. "Isso (o assassinato) era esperado pelo Nelson, que sempre dizia que acabaria levando tiro na cabeça, devido ao trabalho que fazia. Fiscalização não agrada muita gente", afirmou Elba.

Nos autos constam atuações a fazendas da família Mânica que somam R$ 400 mil. O júri, formado onesta tarde, é constituído por quatro mulheres e três homens. Segundo o juiz do caso, Murilo Fernandes, a expectativa é que o julgamento deverá terminar no máximo na madrugada de sábado. Ao todo serão ouvidas 34 testemunhas. Os outros dois acusados de serem mandantes do crime, Antério Mânica, irmão de Norberto, e Hugo Pimenta, acontecerão respectivamente em 4 e 10 de novembro.

Antério, também fazendeiro, foi prefeito de Unaí por dois mandatos (2005 a 2012) e, pelo foro privilegiado terá julgamento em separado. No caso de Pimenta, que também teria participado da contratação dos pistoleiros, o julgamento em separado vai ocorrer por conta de delação premiada feita pelo réu. O julgamento deve ser concluído na madrugada do próximo sábado. O ministro do Trabalho e da Previdência, Miguel Rosseto, assistiu parte da sessão do Tribunal nesta terça.

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