Juiz decreta prisão preventiva de 9 da máfia do jogo

PF não inclui nem compadre nem irmão de Lula no pedido de prisão

Fausto Macedo e Ricardo Brandt,

13 Junho 2007 | 12h25

O juiz da 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de Campo Grande Dalton Conrado decretou na terça-feira à noite a prisão preventiva de 9 investigados pela Operação Xeque-Mate, incluindo o ex-deputado Nilton Servo, apontado como chefe da máfia dos caça-níqueis. Ontem mesmo, a Polícia Federal havia requerido a prisão preventiva de 11 acusados, mas excluíra duas pessoas muito próximas do presidente Lula - seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, o Vavá, e o empresário Dario Morelli Filho, seu compadre e suspeito de integrar a organização.   O despacho de Conrado, de 5 páginas, em nenhum momento cita Vavá. No início da Xeque-Mate, que mira a exploração de jogos de azar, a PF pediu sua prisão temporária, pelos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio. Mas a Justiça Federal de Campo Grande negou o pedido. Ao justificar o decreto de prisão dos acusados, o juiz cita as escutas telefônicas da PF.   "As transcrições das conversas revelam a existência de indícios quanto aos delitos de corrupção ativa e passiva, porque agentes públicos estariam recebendo dinheiro para não apreender as referidas máquinas, bem como estariam também explorando diretamente máquinas caça-níqueis", diz. "É possível extrair das transcrições das conversas indícios de que os investigados teriam se associado, de forma estável e permanente, visando à exploração das referidas máquinas caça-níqueis."   Na avaliação de Conrado, existe "prova suficiente para fins de prisão preventiva, da existência dos crimes de contrabando, quadrilha ou bando, e corrupção passiva e ativa, bem como indícios suficientes de autoria". Ele acentuou que "a ofensa à ordem pública está retratada no fato de que, mesmo após a apreensão de aproximadamente 500 máquinas caça-níqueis, as transcrições das conversas interceptadas revelaram que os investigados continuaram em suas atividades, não demonstrando qualquer intenção de paralisação, apesar das condenações criminais."   Os acusados que permanecerão presos, além de Servo, são: Ari Silas Portugal, Edmo Medina Marquetti, Hércules Mandetta Neto, José Eduardo Abdulahad, Marmo Marcelino Vieira de Arruda, Sérgio Roberto de Carvalho, Gandi Jamil Georges e Raimondo Romano. O regime de prisão preventiva é mais severo que o temporário, porque o suspeito fica detido até o julgamento - a menos que consiga um habeas-corpus em tribunal superior.   No mesmo despacho, Conrado determinou a soltura de Morelli e 18 outros investigados. Morelli foi detido dia 4 em Diadema e continuava preso até ontem à noite. Ele foi flagrado por grampo telefônico em conversas com os principais suspeitos da Xeque-Mate. Também foi avisado antecipadamente sobre a operação da PF, conforme mostram os grampos.   Em 16 de maio, às 12h35, Morelli ligou para Servo e disse que precisava conversar com ele, porque "deu um pepino feio". Servo perguntou: "É comigo?". Ele respondeu que não sabia. Duas horas depois Servo ligou para sua mulher - Maria Dalva Martins, também presa - e disse que marcou encontro em uma pizzaria porque Morelli não queria ir até a empresa - a Multiplay, fabricante de máquinas caça-níqueis. Segundo Servo, "é por causa desse negócio de telefone, já teve comentário lá de cima". Para a PF, quando ele disse "por causa do telefone", estava se referindo ao fato de a polícia estar monitorando o grupo.   Seu advogado, Milton Fernando Talzi, disse que o empresário não foi incluído no topo da organização. "Não há nenhuma prova de que Morelli tenha envolvimento com atividades ilícitas." A PF atribui a ele sociedade em uma casa de caça-níqueis, aberta em nome de um laranja, e prática de corrupção ativa. Morelli atuaria corrompendo policiais para facilitar os negócios ilícitos do grupo.   (Colaborou João Naves) var a = document.location; document.write('');

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