Assine o Estadão
assine

Política

Poder Judiciário

Análise: Judiciário vê sinais de que Moro ‘extrapolou’ na Lava Jato

A alta cúpula do Poder Judiciário tem relatado incômodo com atos recentes do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, na condução das investigações da Operação Lava Jato. A insatisfação, relatada a interlocutores por ao menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal e por integrantes do Superior Tribunal de Justiça, foi vocalizada de forma aberta na decisão de anteontem do ministro Teori Zavascki.

0

Beatriz Bulla

24 Março 2016 | 09h05

Ao determinar que Moro envie ao Supremo os áudios do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva interceptados nas investigações, Teori, que é relator da Lava Jato na Corte, fez críticas à divulgação do material. De acordo com ele, a justificativa de que há “interesse público” em tornar as conversas públicas é “descabida”. Ele falou em direito à privacidade e intimidade dos atingidos pelo grampo e destacou que Moro não era competente para fazer análises sobre conversas de autoridades com foro privilegiado.

Nos bastidores, os ministros consideram três atos de Moro como sinais de que o magistrado “extrapolou” na condução da Lava Jato: o grampo a advogados de Lula, a divulgação do áudio da conversa do petista com a presidente Dilma Rousseff e a divulgação de nota em que o juiz se diz “tocado” com as manifestações do último dia 13.

Um integrante do STF aponta que Moro “acendeu o fósforo” ao divulgar a conversa de Lula e Dilma logo após o anúncio da nomeação do petista à chefia da Casa Civil. Diante dos atos do juiz, ministros da Suprema Corte concordam nos bastidores que o STF terá de assumir o papel de se restringir à discussão jurídica do caso, sem ampliar tensões sociais e políticas.

No protesto contra o governo, no dia 13, manifestantes levaram faixas e camisetas de apoio aos trabalhos de Moro. A avaliação de ministros do STF e STJ era de que, até então, o juiz agiu corretamente e, apesar da repercussão nacional do caso que conduz, não buscou a “espetacularização” do processo. A maioria dos atos do magistrado foi confirmada em decisões do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, do STJ e do STF.

No Supremo, a avaliação é de que condutas “abusivas” de juízes ou tidas como “políticas” podem atingir em cheio a imagem da Justiça. Além de Moro, interlocutores do Supremo citam, por exemplo, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto, o primeiro a conceder liminar suspendendo a posse de Lula na chefia da Casa Civil. Nas redes sociais, o juiz se mostra favorável aos protestos a favor do impeachment de Dilma e aparece em fotografias participando de manifestações contra o governo.

publicidade

Comentários