André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Jucá nega haver carta de demissão de Moreira Franco e Padilha

Líder do governo no Congresso rebate rumor de que ministros estariam demissionários após citação em delação

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2016 | 18h09

BRASÍLIA - Após almoço com o presidente Michel Temer, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o secretário Moreira Franco, o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (RR), negou nesta quarta-feira, 14, que os principais aliados do presidente da República tenham a intenção de entregar carta de demissão. Com o pedido de demissão de José Yunes, assessor especial da Presidência e amigo de Temer há 50 anos, na manhã desta quarta, especulou-se que Moreira Franco e Padilha pudessem seguir o mesmo caminho após repercussão negativa dentro do Palácio do Planalto com citação de seus nomes em delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo.

Jucá afirmou que ambos têm a confiança do presidente e que cabe a Temer decidir quem entra ou sai de seu governo. "Não é nenhum tipo de notícia armada, pressão indevida ou tentativa de desestabilização que levará o presidente a fazer mudanças no seu ministério sem ele querer", declarou.

O senador, que é presidente nacional do PMDB, disse que o partido não vai dar curso a nenhuma medida jurídica questionando o vazamento das delações dos executivos da Odebrecht. O peemedebista - citados nas delações - disse que cabe ao Ministério Público ser célere nas investigações, provar as acusações e tirar "a suspeição generalizada da classe política". "Não é possível ficar se vazando toda semana alguma coisa criminosamente exatamente para desestabilizar o governo", comentou.

Jucá aparece nas delações mais recentes com o apelido de Caju. "Não me sinto um caju, não sei de onde tiraram isso", respondeu ao ser questionado sobre a alcunha. O senador preferiu não comentar o teor da delação do ex-executivo Cláudio Mello Filho. Nesta tarde, a Executiva do PMDB se reuniu para discutir as bandeiras e a gestão do partido no próximo ano.

Também decidiram divulgaram uma nota de pesar sobre o falecimento do arcebispo emérito de São Paulo, D. Evaristo Arns. Ficou acertado que a mudança do nome do partido para MDB será discutida nos Estados e nos diretórios municipais.

Nota. A assessoria de Moreira Franco divulgou nesta quarta uma nota desmentindo "boatos" que ele estaria demissionário. "Estou dedicado a colaborar no lançamento das medidas microeconômicas e no fortalecimento do programa de concessões. Não abandono lutas quando acredito nelas", afirma ele na nota.

O jornalista Ricardo Noblat publicou em seu blog, mais cedo, que Moreira Franco estaria com a carta de demissão pronta para ser entregue, caso o presidente Michel Temer a peça.

Moreira é citado na delação do ex-diretor da Odebrecht no contexto de articulações da empresa em interesses na concessão de aeroportos. De acordo com a revista Veja, Moreira Franco teria recebido R$ 3 milhões para barrar a construção do aeroporto de Caieiras. Na época, ele era secretário de Aviação Civil do governo de Dilma Rousseff.

Críticas. Em uma tentativa de blindar o governo, o líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM), criticou o vazamento do conteúdo de delações premiadas no âmbito da Operação Lava Jato. "Acho que o vazamento neste momento não contribui para a estabilidade política", disse. O ex-governador de São Paulo e vice-presidente do PSDB Alberto Goldman também fez as mesmas críticas em vídeo publicado nesta quarta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.