Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Jorge Viana nega que vá renunciar à presidência do Senado caso Renan seja afastado: 'absurdo'

Segundo o petista, boato de que poderia deixar o cargo teria surgido após conversas com integrantes da bancada do PMDB; com eventual renúncia e saída do peemedebista, quem assumiria o comando da Casa seria Romero Jucá

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2016 | 10h56

BRASÍLIA - O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), classificou nesta quarta-feira, 7, como um "absurdo" a possibilidade de ele renunciar ao posto e consequentemente ao comando da Casa, caso o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decida pelo afastamento do presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL). Viana afirmou ainda que "errou feio" quem fez está afirmação.

"Nunca cogitei renunciar à vice ou se for o caso à presidência. Isso é um absurdo, nunca pensei nisso. Hoje é dia de se ter calma", afirmou Viana ao Estado.

Segundo ele, a informação de que poderia deixar o posto para não ter que decidir sobre a retirada da pauta de votações da Proposta de Emenda à Constituição que estabelece um teto para os gastos públicos, prevista para ocorrer na terça-feira, dia 13 teria surgido após conversas com integrantes da bancada do PMDB. "Conversei e daí já colocam na manchete que tiveram a impressão de que iria renunciar. Nunca pensei nisso", reiterou o senador do Acre.

Caso Viana renunciasse, o comando do Senado poderia ficar com um dos principais aliados do governo do presidente Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que é o segundo-vice da Casa. Para os petistas, não existe "a menor possibilidade" de Viana renunciar e esta informação teria sido ventilada pelo próprio Jucá.

Em reunião realizada na terça-feira, 6, com integrantes da bancada do PT do Senado e da Câmara, o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, ressaltou que o partido não iria abrir mão de comandar o Senado caso o STF confirme o afastamento de Renan em sessão prevista para ocorrer na tarde desta quarta-feira.

O posicionamento de Falcão ocorreu após circular a informação de que Viana teria cogitado, em conversas com Renan e outros integrantes da bancada do PMDB, convocar novas eleições para o comando da Casa. Tal possibilidade não está prevista no regimento interno da Casa, segundo integrantes da Mesa Diretora. 

Pressão. Em meio ao agravamento da crise política, integrantes da cúpula do PT também passaram a pressionar Viana para que ele não dê andamento à pauta econômica construída pelo governo Temer e prevista para ser votada nos próximos dias na Casa.

A reunião dessa terça de Falcão com os congressistas do PT também serviu para afinar o discurso. Entre os projetos de maior interesse do governo que deve ser alvo de resistência dos petistas está a Proposta de Emenda à Constituição que estabelece limite de gastos públicos, a PEC do Teto. A expectativa é de que a votação do segundo turno da PEC ocorra na próxima terça-feira, 13. 

A estratégia da bancada do PT, desenhada na noite de segunda-feira, 5, é aproveitar o "caos institucional" e travar o calendário de votação da proposta. Uma das atitutdes estudadas seria não convocar sessões no plenário para que não se conte prazo de discussão da proposta. Em declarações públicas Viana tem ressaltado, contudo, que teria dificuldades de não cumprir uma agenda pré-definida pelos demais líderes da Casa. 

 

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