Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Joesley se mantém em silêncio em CPMI

Empresário participa de sessão de comissão no Senado

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 09h39

BRASÍLIA - Em sessão de quatro horas de duração, o empresário Joesley Batista se negou na terça-feira, 28, a responder perguntas de parlamentares ou fazer qualquer afirmação na oitiva da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI Mista) da JBS. Como já era esperado, Joesley, que está preso desde setembro, usou o direito de ficar em silêncio, mas ouviu críticas, ironias e até provocações de deputados e senadores presentes na comissão.

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A defesa do empresário tentou, na semana passada, sem sucesso, cancelar o depoimento ao colegiado. No pedido, os advogados indicaram que o dono da empresa de frigoríficos usaria o direito ao silêncio e, portanto, não responderia aos questionamentos feitos pelos parlamentares. 

Joesley, um dos donos da JBS, foi convocado porque, em delação premiada, forneceu informações que fundamentaram as denúncias contra o presidente Michel Temer. Os benefícios do acordo, no entanto, foram suspensos pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de que o empresário teria omitido informações.

PROVOCAÇÕES

Logo no início da oitiva, o relator da CPI Mista e um dos principais defensores do governo Temer, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), provocou o empresário. “Acho que o senhor não é tão bandido quanto confessa ser. Acho que o senhor falou coisas cooptado por essa ideia de correr logo para os EUA”, afirmou.

O deputado João Rodrigues (PSD-SC), tentou fazer o empresário falar. “Já deu pra perceber pela sua aparência, mais magro, que o senhor deva viver um inferno. Sei que o senhor tem vontade de abrir o peito, chorar, falar, pedir perdão... espero que o senhor apele pra sua consciência sob pena de outros falarem, mas aí talvez já seja tarde.”

Paulo Pimenta (PT-RS) brincou sobre o silêncio do empresário. “Quem consegue fazer o cantor Roberto Carlos, que é vegetariano, comer carne é um cara poderoso”, disse ao fazer referência à propaganda da Friboi, do grupo JBS, que tinha a participação do cantor.

POLÍTICOS 

O presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), disse que na sessão marcada para esta quarta-feira, 29, vai pautar a convocação de diversos políticos. Há requerimentos para convocação dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do ex-ministro Antonio Palocci e do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, entre outros.

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