Joesley diz que sua chance de ser preso é 'zero'

Conversa de dono da JBS com executivo aparece em novo áudio entregue à Procuradoria

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 11h56

Nas novas gravações entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos delatores do grupo J&F, o dono da JBS, Joesley Batista, afirma ter convicção de que não será preso. A delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista lhes valeram o perdão de crimes cujas penas somadas individualmente poderiam alcançar de 400 a até 2 mil anos de prisão. Os relatos dos irmãos e dos diretores do grupo feitos à PGR descrevem 240 condutas criminosas, segundo levantamento feito pelo Estado. Eles não poderão ser processados por nenhuma dessas condutas criminosas, recebendo ainda imunidade em outras investigações em andamento e o perdão judicial caso sejam denunciados em outros processos. 

"Não tem nenhuma chance. Nenhuma chance. Sabe qual a chance de eu ser preso? Nenhuma. Zero. Não precisa dar explicação nenhuma. Por quê? Porque não vai. Não tem nenhuma chance. Tá no Jornal Nacional. Zero", afirma Joesley ao executivo Ricardo Saud, em um dos novos áudios sob investigação da PGR.

Veja abaixo outro trecho:

Joesley: A hora que começar, que sentou. Sentar, sentou. E aí, vamos começar a falar, vamos? Como assim, o que você tá falando? Vamos tirar isso da nossa conversa. Não, não to falando disso, eu sei que você não tá falando. Eu não vou ser preso. O pessoal não vai, diretor não vai. Ninguém aqui vai ser preso. Então, qual o próximo assunto? Vamos falar dos nosso filhos, vamos tirar isso da nossa frente, vamos. Vamos falar de nossos filhos coisa importante, como é que tá a tese.

Não tem nenhuma chance. Nenhuma chance. Sabe qual a chance de eu ser preso. Nenhuma. Zero. Não precisa dar explicação nenhuma. Por quê? Porque não vai. Não tem nenhuma chance. Tá no Jornal Nacional. Zero.

(inaudível)

Ricardo: Por que se eu sair, vai ter um bochicho.

Joesley: Na reunião, vai ter a reunião, antes de começar, deixa eu falar um negócio aqui. Não tem a ver com a reunião, mas tem um barulho aqui. Ricardo, é bom falar, porque você desarma o cara. Ó Marcelo, eu podia tomar um minutinho da reunião aqui. Ó, deixa eu falar um negócio pra vocês. Tem um barulho aqui sobre o meu emprego lá, o que eu fazia. Queria tranquilizar todo mundo, eu não vou ser preso, ninguém vai ser preso'.

 

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