Jobim vai pedir a Dilma permanência dos chefes das três Forças

Por ministro, Enzo Peri, do Exército, Júlio Soares de Moura Neto, da Marinha, e Juniti Saito, da Aeronáutica, seguem no cargo; decisão é da presidente

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2010 | 18h37

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta sexta-feira, 17, que vai solicitar à presidente eleita Dilma Rousseff a permanência dos três chefes militares no comando das Forças Armadas: Enzo Peri, do Exército; Júlio Soares de Moura Neto, da Marinha; e Juniti Saito, da Aeronáutica. Segundo ele, a decisão caberá a Dilma.

 

"Vou fazer a indicação para a presidente. Quem decide, pela legislação, é ela. O ministro da Defesa faz a indicação e a Presidência nomeia. O caminho será esse. Minha intenção é indicar os comandantes e aguardar a decisão da presidente. Mas creio que não haverá problema", explicou o ministro, ontem, após participar da cerimônia de troca do comando geral do Corpo de Fuzileiros Navais, na Fortaleza São José, no Rio.

 

Jobim também informou que está em estudo a criação de uma Secretaria de Aviação Civil, com status de ministério e ligado à Presidência da República, no governo de Dilma. O órgão ficará responsável por todos os assuntos relacionados à navegação aérea civil brasileira, que atualmente é de responsabilidade do Ministério da Defesa. Segundo Jobim, a estrutura da nova pasta será similar à da atual Secretaria de Portos.

 

"A parte relativa à regras e discussões sobre a navegação aérea civil seriam feitas via essa secretaria", afirmou o ministro. "Os órgãos afins que tratam da infraestrutura aeroportuária, que é a Infraero, o órgão de regulação, que é Anac, e também o órgão de controle do espaço aéreo terão relação com essa secretaria. A Infraero será subordinada à pasta", disse.

 

Na avaliação de Jobim, a mudança será positiva tanto para a aviação civil como para o Ministério da Defesa. O ministro destacou que a subordinação da navegação aérea comercial brasileira à Aeronáutica é histórica, mas anacrônica. A desvinculação, segundo Jobim, é necessária, pois não há mais compatibilidade entre a atividade e a pasta.

Caças. O ministro também informou que a decisão sobre a compra dos 36 caças que vão reequipar a Força Aérea Brasileira deverá sair no primeiro semestre do ano que vem. Ele informou que já está agendada uma conversa com Dilma em janeiro, para tratar do assunto. Segundo Jobim, é importante definir rapidamente a questão, pois, passada esta fase, as negociações técnicas com a empresa e o país fornecedor levarão, no mínimo, um ano.

"Uma coisa é definir uma opção. Outra coisa é que essa opção se realize. Depois da opção tomada, você terá no mínimo um ano de negociações e conversações. Você tem um conjunto. Não estamos comprando um caça. Estamos comprando um pacote tecnológico", explicou Jobim.

O processo de compra dos caças se arrasta desde 1998. A atual concorrência é disputada pela francesa Dassault, que é a favorita e oferece os caças Rafale, a sueca Saab, com o Gripen NG, e a americana Boeing, com o F-18 Super Hornet.

Mais conteúdo sobre:
Nelson Jobim Defesa Dilma Rousseff

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.