Jobim pede união para que projetos da Defesa continuem

Na parte reservada da cerimônia em comemoração ao Dia do Marinheiro, no Clube Naval, em Brasília, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez um longo discurso de balanço sobre a nova fase da pasta e pediu união da tropa para que os projetos das três Forças possam ter prosseguimento. "Estamos no mesmo barco, que está navegando. Quem quiser ficar e navegar conosco, ótimo. Mas, quem não quiser, pode pular fora do barco", declarou Jobim.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

13 Dezembro 2010 | 17h54

A afirmação foi feita dois dias depois de Jobim, que permanecerá no cargo, ter participado de uma segunda e demorada conversa com a presidente eleita, Dilma Rousseff, na Granja do Torto, que foi entendida como um recado para alguém que, por ventura esteja insatisfeito com o comando dela do País ou dele na Pasta. Mais tarde, em cerimônia na Defesa, Jobim comentou que "a tendência" da presidente eleita é de manutenção dos atuais comandantes da Marinha, do Exército, e da Aeronáutica nos seus cargos.

No seu discurso, Jobim fez questão de falar ainda da igualdade de tratamento a ser dada ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica, ressaltando que as forças são iguais, o que provocou reação imediata entre alguns militares que observaram que, ao contrário do que o ministro disse, as Forças são muito diferentes e cada uma delas têm suas peculiaridades. Mas, para o ministro, "a sociedade não enxerga as forças individualizadas".

Depois de falar sobre as etapas vencidas no processo de formação da estrutura do Ministério da Defesa, Jobim avisou que o momento é de consolidação da pasta. Ele citou ainda que este é um momento de desafio porque os problemas econômicos que atingiram a Europa começarão a ter reflexos no Brasil, em sinalização das dificuldades que poderão ser enfrentadas. Nesta parte da cerimônia, houve um sobressalto quando o adido militar egípcio passou mal e caiu no cão desmaiado, machucando seu rosto.

Após a parte reservada, houve a solenidade de condecoração com a medalha Mérito Tamandaré a cerca de 200 pessoas, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em mensagem à Marinha, o presidente Lula observou que "vivemos um momento de grande euforia com as descobertas das reservas de petróleo e gás da camada de pré-sal", lembrando que "ainda não conhecemos totalmente a extensão do imenso patrimônio que ainda está guardando em nossa Amazônia Azul" e que, por isso, "é imprescindível contarmos com uma Marinha adequadamente equipada, com efetivo poder de dissuasão". O comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, emendou dizendo que "deve ser priorizado o sistema da Amazônia Azul, ferramenta vital para o monitoramento e a vigilância de nossas águas jurisdicionais".

Mais conteúdo sobre:
união Forças Armadas Nelson Jobim

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.