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Joaquim Barbosa pede demissão de ministro da Justiça pelo Twitter

Senador Humberto Costa, líder do PT no Senado, saiu em defesa do ministro pela mesma rede social

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

15 Fevereiro 2015 | 19h36

Atualizado às 21h50

Brasília - Um dia após a divulgação de notícias sobre reuniões do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com advogados de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa decidiu esquentar a polêmica. Pelo Twitter, ele pediu a demissão de Cardozo no último sábado, 14. O ministro evitou polemizar, mas petistas saíram em sua defesa e criticaram Barbosa.

“Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma demita imediatamente o ministro da Justiça”, escreveu Barbosa, que foi relator do processo do mensalão. “Reflita: você defende alguém num processo judicial. Ao invés de usar argumentos/métodos jurídicos perante o juiz, vc vai recorrer à Política?”, completou o ex-presidente do Supremo, que condenou à prisão dirigentes históricos do PT e se orgulhava de não receber advogados.

Cardozo disse ao Estado que só recebeu em audiência advogados da Odebrecht, como consta de sua agenda, e negou que tenha tratado da Lava Jato com Sérgio Renault, defensor da UTC, ou com advogados da Camargo Corrêa. As três são alvo da operação e as duas últimas têm executivos presos pela Polícia Federal.

“Eu não vou polemizar com o ministro Joaquim Barbosa. Ele, como qualquer cidadão, tem todo o direito de se manifestar livremente. Vivemos numa democracia”, afirmou Cardozo.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), tuitou neste domingo em defesa do ministro. “A quem interessa a demissão de um ministro da Justiça independente, chefe de uma Polícia Federal que apura o que tem que apurar, sem interferências? Nem a oposição retoca José Eduardo Cardozo. O que há por trás de quem o critica? Pensem”, postou.

O encontro do ministro com três advogados da Odebrecht ocorreu no dia 5. Segundo a revista Veja, Cardozo estaria numa articulação para acalmar empreiteiros acusados de participação no esquema de corrupção da Petrobrás porque muitos ameaçam apontar o dedo para Dilma e para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se não forem socorridos.

Representações. Ao Estado, Cardozo afirmou que os advogados da Odebrecht pediram uma audiência formal para solicitar providências sobre possíveis irregularidades cometidas na Lava Jato. Disse que os fatos relatados provocaram duas representações, encaminhadas para apuração. Questionado sobre as denúncias, o ministro se esquivou: “Não posso revelar porque isso tramita em sigilo”. Em nota divulgada neste domingo, a assessoria de Cardozo observou que “é dever do Ministério da Justiça receber (...) representações e determinar o seu regular processamento, sob pena de incorrer em grave violação legal”.

No acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou que a Odebrecht pagou a ele US$ 31,5 milhões em propina, de 2012 a 2013, em contas na Suíça. A empresa nega.

Cardozo disse não estar agindo para tranquilizar advogados de empresários que ameaçam o PT e o governo Dilma. “Eu jamais faria isso. Eu não me reuni com Sérgio Renault, que, aliás, é meu amigo. Ele nem entrou no gabinete. Ficou na antessala. Esteve lá porque marcou um almoço com o Sigmaringa Seixas, que estava comigo, e foi buscá-lo.” 

Na quarta-feira, em entrevista ao Estado, Cardozo acusou o PSDB de usar a Lava Jato para tentar incriminar Dilma. “Aqueles que querem fazer isso têm motivação política e problema psicológico, por não aceitarem o resultado das urnas.”

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