JBS manteve contas para as campanhas de Dilma e Serra

Delator entregou duasplanilhas; a do PT tinha R$ 30 milhões e dostucanos somava R$ 20 milhões em 2010

Daniel Bramatti e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2017 | 09h06

A JBS manteve duas contas para abastecer e comprar apoios para as principais candidaturas presidenciais de 2010: Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Em nome dos candidatos, a empresa reservou R$ 50 milhões – R$ 30 milhões para a petista e R$ 20 milhões para o tucano. O esquema foi relatado aos procuradores da República por Joesley Batista, um dos sócios do grupo.

Para a campanha de Dilma, Joesley afirmou que em um jantar em sua casa o então articulador do PT, Antonio Palocci, pediu os R$ 30 milhões – o valor foi colocado à disposição do partido, mas não foi usado integralmente. Desse total, R$ 16,3 foram usados por Palocci para pagar aliados do PSV, PRB, PTB, PDT, PTN, e PTC.

Houve dinheiro repassado para candidatos do Piauí, Pernambuco, São Paulo. Um dos candidatos – o deputado federal Paulo Roberto Freire da Costa (PR-SP) – recebeu R$ 400 mil segundo a planilha em nome de Palocci e outros R$ 300 mil da campanha de Serra, pagamento que também ficou registrado em planilha da JBS.

A planilha de Palocci registrou que sobraram R$ 19,7 milhões na campanha. Quem fazia os contatos para apanhar o dinheiro em nome de Palocci seria seu assessor Branislav Kontic, o Brani, que foi preso com Palocci em 2016 durante a Operação Omertá, a 35.ª fase da Lava Jato.

O Estado não conseguiu encontrar Costa. O advogado Adriano Bretas, que defende Palocci, afirmou ontem que o ex-ministro só se manifestará sobre a acusação “nos autos”.

Serra. De acordo com Joesley, ele conheceu Serra durante a campanha à Presidência. O tucano o visitou na sede de sua empresa, “ocasião em que solicitou uma doação para sua campanha, no total de R$ 20 milhões”.

Joesley afirmou que concordou com a doação que foi feita, segundo ele, da seguinte forma: R$ 6 milhões em notas frias para a empresa LRC Eventos e Promoções, com a falsa venda de um camarote no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Outros R$ 420 mil teriam sido enviados para a empresa APPM Analista e Pesquisa, “também com notas frias”, afirmou Joesley. Por fim, o empresário afirmou que entregou R$ 13,58 milhões em contribuições oficiais que foram distribuídos segundo indicações de Serra.

A planilha apresentada por Joesley ao Ministério Público Federal tem está em nome “PSDB/Sergio Freitas/Serra”. Freitas, executivo egresso do mercado financeiro, era o tesoureiro de Serra na campanha.

No documento constam repasses feitos para o PTdoB, o PMN e DEM. Conforme os pagamentos eram feitos, Joesley ia dando baixa na conta corrente mantida para a campanha de Serra. Parte do dinheiro foi repassado a candidatos a deputado federal, a senador e a governador do PSDB e de outros partidos aliados.

A defesa de Serra informou aos Estado que “as contas de todas as campanhas de José Serra foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”. A nota do candidato prosseguiu informando que “José Serra jamais recebeu qualquer tipo de vantagens indevidas das empresas de Joesley Batista. E mais que isso, nunca tomou medidas que tenham favorecido a Joesley ou a seu grupo empresarial em nenhum dos diversos cargos que ocupou em sua longa carreira pública.” Por fim, a nota diz que “o senador esta confiante que a investigação irá comprovar a lisura de sua conduta”. / D.B. e M.G.

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