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Eleições 2014

Jarbas Vasconcelos defende candidatura de Marina

LUCIANA NUNES LEAL - Estadão Conteúdo

14 Agosto 2014 | 20h 41

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), ex-prefeito de Recife e ex-governador de Pernambuco, reconciliou-se com o líder do PSB Eduardo Campos em 2012, depois de vinte anos de afastamento, e tornou-se um interlocutor frequente do antigo desafeto. Os dois almoçaram juntos, sozinhos, na quarta-feira anterior ao acidente que matou Campos. "Ele disse que estava contando nos dedos as horas e os minutos para começar o programa eleitoral na TV. Estava entusiasmado, botou na cabeça que podia fazer algo novo", lembra o senador.

Ainda com a lembrança deste último encontro, Jarbas defende que a coligação de Campos lance a candidatura de Marina Silva à Presidência. "A hora é de chorar e trabalhar. A coligação deve anunciar Marina e tem que fazer de imediato", defende o senador, integrante da ala do PMDB independente.

Na tarde de quarta-feira, Jarbas divulgou uma nota em que lamentava a morte do aliado. "Estava muito machucado", diz. Nesta quinta-feira, lembrou a retomada da amizade com Campos, que trabalhou na Prefeitura de Recife durante a primeira gestão de Jarbas (1986 a 1988), com quem rompeu em 1992. Naquele ano, Eduardo Campos, neto do líder socialista e ex-governador Miguel Arraes, disputou a prefeitura da capital, mas perdeu para Jarbas. Em 1998, o peemedebista venceu Arraes, que tentava a reeleição de governador. As desavenças continuaram até dezembro de 2011, quando amigos em comum promoveram a reaproximação de Jarbas e Campos. Nas eleições municipais de 2012, a aliança estava firmada.

"Tivemos uma primeira conversa no fim de 2011, eu disse que não tinha conversa com o PT e abrimos um diálogo sobre 2014. No começo de 2012, eu disse que Eduardo era um quadro novo, mas precisava se desgarrar do PT. Em junho de 2012, fiz uma cirurgia no coração. Estava no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, quando nosso candidato a prefeito, Raul Henry, foi me visitar e disse que Eduardo Campos tinha cogitado uma aliança conosco para enfrentar o PT. Respondi que já estava conversando com Eduardo sobre 2014, mas que a aliança podia começar em 2012. Vencemos as eleições. No fim de 2012 e em 2013 passei a trabalhar para trazer o PMDB para Eduardo", lembrou Jarbas.

A entrada de Marina Silva no PSB, em outubro do ano passado, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou a fundação de um novo partido, a Rede Sustentabilidade, liderado pela ex-senadora, foi outro episódio que Jarbas acompanhou de perto, embora não fosse do partido. O peemedebista estava na Suíça quando recebeu um telefonema do senador Pedro Simon (PMDB-RS), outro aliado de Campos. Simon disse que Marina tinha interesse em conversar com o então governador de Pernambuco. "Liguei para Eduardo, disse que achava que ele devia ouvir Marina. Pedro levou Eduardo à casa de Marina, foi tudo muito rápido", contou Jarbas.

Com bom trânsito entre representantes do agronegócio, Jarbas teve dificuldades em convencer os empresários de se aliarem a Eduardo Campos depois do lançamento da candidatura da ambientalista Marina a vice na chapa socialista. Mesmo assim, acreditava que a ex-senadora poderia levar o voto da juventude e das grandes cidades. Agora, defende que Marina assuma o lugar de Campos. "Temos a obrigação de levar esse projeto adiante", diz.

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