Jarbas pede que partidos não apóiem fim da reeleição

Um dia depois de o governador de São Paulo, José Serra, defender o fim da reeleição, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) subiu à tribuna para pedir aos partidos da oposição e aos dissidentes da base governista, como é o seu caso, que não apóiem a medida. Jarbas disse que a iniciativa não passa de "um mero casuísmo, que só beneficia o governo". Primeiro, porque acredita que daria ao presidente Lula a chance de se manter no poder, sob a alegação de que as regras da disputa mudaram. Depois, porque iria fortalecer as acusações feitas pelo PT, quando estava na oposição, de que a medida teve o único objetivo de beneficiar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "A reeleição deve ser mantida, mas é necessário seu aperfeiçoamento, o que pode ser feito no âmbito da reforma política", alegou, lembrando que nunca foi "muito simpático" à sua implantação. Tanto que disse ter relutado em disputar a reeleição no governo de Pernambuco. "Terminei cedendo por conta de questões internas da nossa aliança política no Estado", explicou. Jarbas previu que, se a oposição abdicar do seu papel, as implicações dessa lamentável decisão serão sentidas no futuro, "pois o presidente Lula talvez não queira apenas eleger seu sucessor mas, com o fim da reeleição, se manter na Presidência da República", alegou. Responsabilidade Para ele, a reeleição não pode ser responsabilizada por todas as distorções que são quase inerentes ao exercício do Poder Executivo no Brasil, nos quase 10 anos de sua implantação. "Por outro lado, a história da humanidade mostra que muitas vezes o autoritarismo nasce de episódios aparentemente banais, respaldados numa pretensa inspiração popular", disse. "Em nome do povo já foram cometidos os mais bárbaros desatinos da natureza humana", defendeu, antes de alertar à oposição para que não repita os erros que estão em curso na Venezuela, depois que a oposição de lá, ao desistir de disputar a eleição, deu ao presidente Hugo Chávez "uma vitória por WO, para usar uma metáfora futebolística, que o presidente Lula aprecia tanto". "O estilo do presidente Lula é diferente do presidente Chavez, mas o objetivo de ambos é o mesmo, de se manterem no poder a todo custo", comparou. ´Oposição errou´ Para Jarbas, "a oposição errou no passado, quando subestimou a capacidade do PT e de Lula de se recuperarem do maior escândalo político da história recente do Brasil". O senador incluiu nas atribuições da oposição brasileira o de apontar erros "decorrentes da prepotência governamental, da soberba criada pela volúvel popularidade, em detrimento da sólida credibilidade". Como exemplo, citou a de reagir quando a bandeira da estabilidade econômica for incorporada "cinicamente" pelo PT e pelo presidente Lula. "Logo eles que a combateram com todas as armas em duas eleições presidenciais, em 1994 e em 1998", lembrou. Jarbas lembrou que ocorreu o mesmo com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com as privatizações, "demonizadas pelo governo, apesar dos seus resultados práticos terem colaborado tanto para a redução dos gastos públicos e a ampliação das receitas na balança comercial". Em troca, defendeu, a oposição deveria abandonar "querelas menores", como a de debater se a CPI do Apagão será na Câmara ou no Senado. "Isso é de menor monta", alegou, insistindo para os parlamentares da oposição deixem de lado os que os afasta e passem a atuar de forma mais unida no Congresso.

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 20h59

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