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Janot pede nova investigação contra Cunha e familiares por contas na Suíça

Solicitação tem como base documentação enviada pelo país europeu comprovando a movimentação de dinheiro do presidente da Câmara, sua esposa e filha no exterior

Carla Araújo e Gustavo Aguiar, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 16h38

Atualizado às 17h17

Brasília - A Procuradoria-geral da República solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que abra um novo inquérito para investigar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sua esposa e sua filha com base nos documentos enviados pela Suíça que comprovam que Cunha possui contas naquele país. O pedido precisa ser avaliado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF.

Documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça ao Brasil comprovam que um negócio de US$ 34,5 milhões fechado pela Petrobrás em 2011, no Benin, na África, serviu para irrigar as quatro contas no país europeu que têm como beneficiários Cunha, e sua mulher, Cláudia Cordeiro Cruz.

O "giro do dinheiro", como os investigadores classificam o caminho para chegar até o parlamentar, é considerado mais relevante do que o valor bloqueado pelas autoridades suíças em 17 de abril, no total de 2,468 milhões de francos suíços, o que representa aproximadamente R$ 9,6 milhões. Cunha tem negado a titularidade de contas. As quatro contas de Cunha e da mulher receberam ao todo R$ 23,2 milhões, segundo o MP suíço. 

Segundo os documentos suíços, a conta aberta na Suíça em nome de Cláudia foi usada para pagar despesas pessoais da família do parlamentar. A movimentação dela serviu para pagar faturas de cartão de crédito, academia de tênis na Flórida e cursos na Espanha e no Reino Unido.

Entre 4 de agosto de 2011 e 15 de fevereiro de 2012, foram transferidos US$ 119,795 mil da conta de Cláudia à universidade espanhola Esade. A filha de Cunha, que é apontada como dependente em uma das contas, fez MBA na instituição no mesmo período dos pagamentos, entre agosto de 2011 e março de 2013.

As autoridades suíças conseguiram bloquear apenas duas das quatro contas atribuídas ao parlamentar. Isso porque o deputado encerrou as outras duas em abril e em maio do ano passado, após o início das investigações da Operação Lava Jato. 

Em nota divulgada na semana passada, advogados do presidente da Câmara afirmaram que o parlamentar não foi notificado nem teve acesso a qualquer procedimento investigativo que tenha por objeto atos ou condutas de sua responsabilidade e questionam o vazamento de informações das investigações protegidas por sigilo. 

Cunha já é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. Neste processo o lobista Júlio Camargo - que fez delação premiada - declarou que Eduardo Cunha o pressionou, em 2011, por uma propina de US$ 5 milhões em contrato de navios-sonda da Petrobrás. O presidente da Câmara não é réu nesta ação, mas foi denunciado por este caso ao STF pela Procuradoria-Geral da República. Como parlamentar, o peemedebista detém foro privilegiado perante a Corte máxima.

Nesta quinta, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, incluiu na denúncia contra o presidente da Câmara trechos da delação premiada do doleiro Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Os termos da delação de Baiano citando Cunha ainda são mantidos sob sigilo, mas ele teria confirmado à Polícia Federal o pagamento de pelo menos US$ 5 milhões em propina ao peemedebista em contratos de aluguel de navios-sonda pela Petrobrás.

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