André Dusek/Estadão
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Janot diz que vai processar Pizzolato por novos crimes

Procurador-geral da República pediu autorização ao governo italiano para mover ação contra o ex-diretor do Banco do Brasil por lavagem de dinheiro e uso de documento falso em Santa Catarina

Lorenna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2015 | 11h58

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse nesta sexta-feira, 23, que pedirá autorização ao governo italiano para processar o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato por dois novos crimes. De acordo com Janot, Pizzolato, condenado a mais de 12 anos no processo do mensalão, deve ser processado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por lavagem de dinheiro e por uso de documento falso em Santa Catarina. O procurador não deu detalhes desses crimes. 

O MPF irá ainda cobrar de Pizzolato R$ 170 mil referentes aos gastos com a extradição do ex-diretor, como viagens de autoridades brasileira, tradução de documentos e despesas com vídeos para demonstrar à Justiça italiana a qualidade das penitenciárias brasileiras. Além disso, serão cobrados os honorários pagos para advogados que atuaram no processo na Itália, cerca de 100 mil euros. Janot pedirá ainda a repatriação de cerca de 113 mil euros apreendidos com o condenado na Itália que, para o procurador, são fruto de crime. 

Pizzolato chegou nessa sexta-feira ao Brasil depois de permanecer 25 meses foragido na Itália. O ex-diretor do Banco do Brasil vai cumprir pena no Complexo Penitenciária da Papuda, em Brasília. Antes de ir para a capital federal, Pizzolato fez escala em São Paulo. Ao desembarcar do avião TAM no qual veio da Itália, o ex-diretor do Banco do Brasil foi vaiado por parte dos passageiros que estavam a bordo. 

Essa era a terceira vez que a PF se organiza para buscar o brasileiro. Pizzolato deveria ter sido extraditado no dia 7 de outubro. Mas, pressionado politicamente pela base de seu partido, o ministro da Justiça italiano, Andrea Orlando, adiou a volta do ex-diretor do Banco do Brasil ao País. A mudança na programação ocorreu no dia 6, na mesma data que a Corte Europeia de Direitos Humanos na França negou o último recurso apresentado pela defesa de Pizzolato. 

Desde fevereiro de 2014, quando foi preso, Pizzolato se encontrava na penitenciária Sant'Anna, de Modena, aguardando uma definição sobre seu caso. Neste período, oito decisões judiciais e políticas foram tomadas. 

Cunha. Durante a entrevista coletiva, Janot se negou a responder a perguntas sobre se pedirá o afastamento do presidente da Câmara dos Deputados. "Só responderei questões referentes a esse caso [a extradição de Pizzolato]", afirmou. 

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