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Janot diz que não há distorção em transcrição de delações e vê 'técnica de defesa' em crítica

- Atualizado: 26 Janeiro 2016 | 18h 03

Segundo advogados de investigados pela Operação Lava Jato, investigadores omitem nos relatórios de depoimento fatos ditos no momento da prestação de esclarecimentos ao Ministério Público

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, saiu em defesa do trabalho do Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato nesta terça-feira, 26. Ele afirmou que não vê distorções entre as transcrições de delações premiadas e o próprio depoimento dos investigados. “Não vi distorção alguma e também não vi ninguém negar o fato criminoso imputado a essas pessoas”, afirmou o procurador-geral, ao deixar a primeira sessão do ano do Conselho Nacional do Ministério Público.

Defensores de investigados têm feito críticas à transcrição das delações. Segundo os advogados, os investigadores omitem nos relatórios de depoimento fatos ditos no momento da prestação de esclarecimentos ao Ministério Público. Os advogados do empreiteiro Marcelo Odebrecht e de executivos da empresa, por exemplo, afirmam que o MP “deliberadamente omite” informações prestadas.

O procurador-geral da República Rodrigo Janot
O procurador-geral da República Rodrigo Janot

Divergências entre o depoimento prestado por delatores – acessado por meio de vídeo e áudio gravados pelos investigadores – e os termos escritos também são usadas pela defesa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na defesa prévia à denúncia oferecida por Janot contra o parlamentar. Outros advogados também têm abordado as diferenças entre depoimento e relatório em manifestações enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O procurador-geral da República considerou que os argumentos dos advogados são “técnica de defesa”.

Críticas à condução da Lava Jato foram tornadas públicas, de forma organizada, há cerca de dez dias, quando advogados assinaram um manifesto questionando a operação. Na carta, os advogados afirmam que “nunca houve um caso penal em que as violações às regras mínimas para um justo processo estejam ocorrendo em relação a um número tão grande de réus e de forma tão sistemática” . Janot evitou embate com os advogados, ao ser questionado sobre as críticas. “É direito de expressão, é livre”, afirmou o procurador-geral da República.

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