Itália chama embaixador para consultas no caso Battisti

Segundo o jornal italiano 'Corriere Della Sera', o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, prometeu continuar a 'batalha' pela extradição

AE, Agência Estado

31 Dezembro 2010 | 12h15

A Itália chamou seu embaixador no Brasil, Gherardo La Francesca, para consultas depois da notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que o ex-ativista Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos na década de 70, vai continuar no País, não sendo, portanto, extraditado para a Itália.

 

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Segundo o jornal italiano Corriere Della Sera, o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, prometeu continuar a "batalha" pela extradição de Battisti. "Gostaria de expressar minha profunda tristeza e pesar pela decisão tomada pelo presidente Lula para negar a extradição do assassino Cesare Battisti, apesar de repetidos apelos e pressões em todos os níveis do lado italiano. É uma opção contrária ao mais elementar sentido de justiça", disse o premiê. E acrescentou: "Expresso às famílias das vítimas a minha solidariedade, minha proximidade e o compromisso de continuar a batalha para que Battisti seja entregue à justiça italiana. Consideremos a questão longe de estar fechada: a Itália não vai desistir de fazer valer os seus direitos em todos os níveis."

 

A notícia de que a Itália chamou seu embaixador para consultas foi dada no início da tarde por meio de nota do Ministério das Relações Exteriores, informou o Corriere. O recall não significa a retirada da delegação italiana do País e nem o rompimento de relações diplomáticas, mas é um sinal da tensão contínua entre os dois países.

 

Na sua declaração oficial, o Ministério das Relações Exteriores informou que o governo italiano irá "usar imediatamente todas as margens possíveis oferecidas pelo sistema jurídico brasileiro para obter mais rapidamente a extradição de Cesare Battisti. Segundo o texto, a Itália irá trabalhar para "garantir que o STF identifique a incompatibilidade da decisão presidencial com a sua própria decisão anterior, de novembro de 2009, que negou as condições para a concessão do estatuto de refugiado a Battisti".

 

Com informações da Dow Jones

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