Irmão ‘anônimo’ do clã está há 21 anos na Câmara

Investigado no Supremo por peculato, Afrísio Filho é diretor legislativo

Daiene Cardoso e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 05h00

BRASÍLIA - Irmão “anônimo” do clã Vieira Lima, Afrísio Filho permanece há 21 anos no cargo de diretor legislativo da Câmara dos Deputados. Com salário de R$ 33,9 mil, Afrísio é investigado no Supremo Tribunal Federal por suspeita de peculato. A condição de investigado há quatro meses, porém, não mudou seu status na Casa. Com a bênção do MDB e a anuência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ele continua na função de confiança.

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A investigação da Procuradoria-Geral da República indica que os irmãos de Afrísio, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o deputado Lúcio Vieira Lima, além da mãe deles, Marluce Quadros Vieira Lima, se apropriavam de até 80% dos rendimentos pagos a secretários parlamentares nomeados por eles, mas que trabalhavam de forma particular para a família. Extratos mostram transferências de dinheiro feitas a Afrísio, por isso ele se tornou suspeito.

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Geddel está preso na Papuda, no Distrito Federal, e Lúcio responde a processo por quebra de decoro parlamentar. No dia 8 de maio, a Segunda Turma do STF decide se recebe a denúncia por lavagem de dinheiro e associação criminosa, contra Geddel e Lúcio, no caso dos R$ 51 milhões encontrados em apartamento de Salvador.

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A família atua unida na política e nos negócios. Afrísio é sócio da mãe e dos irmãos em um posto de gasolina em Salvador, além de fazendas no interior baiano, herdadas do pai, o ex-deputado Afrísio de Souza Vieira Lima, morto em 2016.

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Burocracia. Afrísio Filho atua numa função burocrática da Câmara. Ele é responsável por departamentos que cuidam da taquigrafia, consultoria legislativa e orçamentária, centro de documentação e comissões. Servidores dizem que ele “reina, mas não governa”. Afrísio está na Câmara desde 1979, quando foi nomeado auxiliar de gabinete parlamentar. Na ocasião, Geddel também foi nomeado secretário de gabinete parlamentar. À época, o pai deles exercia seu primeiro mandato pelo Arena.

Maia e a Câmara não se manifestaram sobre a situação de Afrísio, que não foi localizado e não respondeu aos contatos da reportagem.

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