Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Busca em empresa do filho de Lula não preocupa governo, diz Jaques Wagner

A empresários em SP, ministro da Casa Civil disse preocupações são falta de crescimento, desemprego crescente e inflação

MÁRIO BRAGA, RICARDO LEOPOLDO E FERNANDA GUIMARÃES, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 12h33

O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou nesta segunda-feira, 26, que o fato de a Operação Zelotes ter cumprido mandados de busca e apreensão em empresas do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não preocupa o governo. Segundo ele, o Brasil não pode ficar assistindo à investigação.

"O que preocupa mesmo o governo é a falta de crescimento, o desemprego crescente e a inflação", disse Wagner, após participar de evento com empresários em São Paulo. Na avaliação de Wagner, as atuais investigações sobre grandes esquemas de corrupção no País têm de continuar porque mudam a relação entre o público e o privado.

Questionado também sobre reportagem do jornal Folha de S.Paulo que afirma que 35% das pedaladas fiscais tiveram como objetivo financiar empréstimos para grandes empresários e fazendeiros de médio e grande portes, Wagner diz não ver tal informação como uma denúncia, mas como um caminho normal com retorno positivo de geração de empregos e estímulos a áreas menos desenvolvidas. "Como governador, não teria a chegada de tantas indústrias se o BNDES não tivesse oferecido taxas de juros compatíveis com o mercado internacional. Da mesma forma que o banco de desenvolvimento da Suécia nos ofereceu juros convidativos para formalizar a compra dos caças Grippin", afirmou.

O titular da Casa Civil reconheceu, no entanto, que, atualmente, o governo tem menos musculatura para fazer equalizações de taxas de juros da mesma forma que fazia antes. "Vamos ter que modular o programa", afirmou. Segundo ele, o objetivo é que cada empresa beneficiada gere riqueza e emprego em várias regiões do País.

Eduardo Cunha. Jaques Wagner afirmou que a única negociação estabelecida entre o governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se refere ao andamento da pauta de votações sobre questões econômicas. "Quanto à situação do Eduardo Cunha, isso está a cargo do Conselho de Ética, do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal", respondeu a jornalistas, após o evento em São Paulo.

Sobre o andamento das próximas votações, Wagner disse que é possível que a proposta sobre a Desvinculação das Receitas da União (DRU) seja votada nesta terça-feira, 27, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

O ministro-chefe da Casa Civil participou da 18ª edição do prêmio "As Empresas Mais Admiradas no Brasil", promovido pela revista Carta Capital. Com um discurso conciliador, Wagner fez um chamamento ao diálogo "pelos melhores interesses da sociedade brasileira". "Estimulamos o ambiente de tolerância pelo contraditório, que é a alma, a energia, o oxigênio da democracia", afirmou.

Sem mencionar o termo "impeachment", o ministro disse ser necessário "enxotar" qualquer ambiente de intolerância e fez um mea culpa ao comparar a atuação da oposição ao governo Dilma Rousseff à forma como o PT enfrentou o governo Fernando Henrique Cardoso e criticar quem tente antecipar a troca de grupos políticos no comando do País. "A existência de governo e oposição são fundamentais para que, na alternância de poder, a população possa escolher o melhor caminho a cada quatro anos", discursou Wagner.

Base aliada. O ministro-chefe da Casa Civil avaliou que a situação da base aliada é "estável, mas não confortável". "Evoluímos muito na questão política, de reaglutinar a base do governo, e isso é fundamental pois, sem base política organizada e consolidada, é difícil votar tudo aquilo que se precisa", afirmou.

Wagner reconheceu a responsabilidade "prioritária" do governo encontrar soluções para crise, mas concordou com empresários que afirmaram, durante debate, que também cabe ao setor privado apontar caminhos e não apenas cobrar soluções. "Que além das suas demandas justas, que o setor produtivo também traga ideias e volte a investir", disse.

Mais conteúdo sobre:
Operação Zelotes Jaques Wagner

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.