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Investigação de crimes na ditadura por militares é vista com ceticismo

Roldão Arruda

03 Abril 2014 | 08h 10

Para garantir transparência, ex-presos políticos e familiares de mortos e desaparecidos acreditam que trabalho das Forças Armadas deveriam ser acompanhados por civis

Entre ex-presos políticos e familiares de mortos e desaparecidos na ditadura, a informação de que as Forças Armadas vão investigar denúncias de violações de direitos humanos ocorridas em dependências militares foi recebida com dúvidas. Elas envolvem desde a composição dos grupos de sindicância à abrangência da investigação. Segundo levantamento da Comissão da Verdade, ao menos nove pessoas morreram nos centros militares de 1964 a 1985. Há ainda 15 casos de tortura.

Na avaliação do jornalista Alípio Freire, ex-preso político e militante de direitos humanos, uma sindicância conduzida exclusivamente por militares corre o risco de ter seus resultados questionados. "As sindicâncias deveriam feitas por comissões mistas, com a presença de representantes da sociedade civil, do governo e dos militares", disse.

A presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, professora Victoria Grabois, pôs em dúvida a possibilidade de resposta para um assunto tão amplo em 30 dias. "É impossível, a menos que tenham todas as informações organizadas em seus arquivos, que eles já disseram que foram destruídos."

Victoria, cujo pai figura na lista dos mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, não descartou a hipótese de os militares ensaiarem algum sinal de boa vontade. Na avaliação dela, poderiam admitir alguns casos, como o do ex-deputado Rubens Paiva, e apontar alguns responsáveis. Entre estes últimos estaria o coronel reformado Paulo Malhães, que já admitiu à Comissão Nacional da Verdade o seu envolvimento com casos de desaparecidos.

O ex-preso Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos de São Paulo, levantou dúvidas quanto aos locais investigados. "Não acredito que nomeiem lugares de tortura que eram mantidos na clandestinidade, fora das dependências oficiais, como a Casa da Morte, em Petrópolis."

A jornalista e ex-presa Rose Nogueira, do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, considerou positiva a iniciativa. "Estão dizendo com isso que não pensam como os militares do passado. Resta saber até que ponto estão dispostos a mostrar o que têm."

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