Índios não participam de exames para inquérito sorológico

Pesquisa, que começou em fevereiro, já investigou o estado de saúde de 2,7 mil indígenas e tem a meta, segundo a Funasa, de examinar mais de 3,5 mil índios

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 15h13

Pelo menos 800 índios da etnia marubo, na região do Vale do Javari, às margens do Rio Curuçá, no município de Atalaia do Norte , a 1.138 quilômetros de Manaus, se recusaram a participar de exames para um inquérito sorológico, segundo o coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Francisco Aires. A pesquisa, que começou em fevereiro, já investigou o estado de saúde de 2,7 mil indígenas e tem a meta, segundo a Funasa, de examinar 3,5 mil índios, o equivalente à população indígena do Javari, formada pelas etnias kanamary, marubo, mayuruna, korubo, matis e kulina. O resultado da pesquisa deve ser divulgado em agosto, mas uma prévia em fevereiro, mostrou que 283 dos indígenas investigados já tiveram hepatite A e que havia 44 contaminados com o tipo B da doença. O índice aceitável pela Organização Mundial de Saúde para a hepatite B é de até 2%. De acordo com o coordenador da Funasa, os indígenas se negaram a fazer o exame alegando que querem ter acesso ao resultado dos textos. Para Aires, no entanto, essa informação não pode ser divulgada aos indígenas pelo receio que haja "segregação" dos índios doentes. Na região, as doenças que mais ocorrem são vários tipos de hepatite e malária. Já de acordo com o líder indígena marubo da Coordenação Indígena do Vale do Javari (Civaja) Manoel Choimpa os indígenas não aceitam a vacinação ou o exame sorológico pelo algo número de mortalidade nas aldeias mesmo em indivíduos vacinados. "Há muitas dessas vacinas que precisam mais de uma dose, daí eles (os técnicos de saúde da Funasa) não voltam para essa dose de reforço. E a gente sabe que assim, sem o reforço, a doença vem ainda mais forte", contou. A enfermeira do Centro Indigenista Missionário (Cimi), Raimunda Paixão Braga, que trabalha com as etnias marubo e kanamari há dez anos, confirma a versão de Choimpa. "Também acontece de estarem morrendo com câncer no fígado em conseqüência de hepatite medicamentosa, por causa das altas doses de quinino que tomam para combater a malária", destaca Raimunda. Segundo a enfermeira, em uma visita há três meses a uma das aldeias marubo, três indígenas adultos estavam em estado terminal com sintomas de hepatite. "O que acontece é que esses indígenas aceitam sim a vacina, mas como não voltam para a primeira dose e não há nenhum acompanhamento do remédio que ganham para o combate à malária, eles ficam cada vez mais vulneráveis às doenças".

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