Dida Sampaio
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Indignado com denúncia de 'compra de votos', Maluf diz que vai investigar colegas do PP

Deputado afirmou que, se comprovar que o governo está dando cargos para convencer partido a votar contra o impeachment, vai mudar voto para o afastamento da presidente Dilma.

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2016 | 08h05

BRASÍLIA - Condenado na Justiça francesa por lavagem de dinheiro, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) disse na terça-feira, 5, que vai investigar se o Palácio do Planalto está oferecendo cargos para "comprar" partidos e deputados em troca de livrar a presidente Dilma Rousseff do impedimento. Membro titular da comissão especial do impeachment, Maluf disse que, se ficarem comprovadas as ofertas ao PP, mudará seu voto e defenderá o afastamento da petista.

Dizendo-se "não comercializável", Maluf demonstrou indignação com as denúncias de negociação entre governo e os atuais aliados PP, PR e PSD. "Quando acho que devo votar, eu voto de graça. Quando eu acho que não devo votar, não tem cargo que faça mudar meu ponto de vista", afirmou.

Maluf disse acreditar que Dilma é uma pessoa correta, honesta e que não merece o impeachment. "Eu já sofri muito na vida pública, injustiças, portanto eu não posso cometer uma injustiça contra uma pessoa correta", alegou. O deputado disse que pode mudar sua opinião sobre o afastamento de Dilma se comprovar que houve oferta de cargos para deputados. "A única maneira de mostra que eu não recebi, não recebo e não receberei cargos é votando pelo impeachment", declarou.

A decisão, no entanto, ainda não foi tomada. "Estou investigando e vou investigar membros do meu partido". Ele se considera liberado para votar no processo de acordo com sua consciência. 

Para a tarde desta quarta-feira, 6, estava marcada a votação sobre o desembarque ou não do PP do governo. Durante a manhã,  entretanto,  o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), resolveu cancelar o encontro. Ele atendeu às solicitações dos deputados antigoverno, que pediram a votação apenas quando acontecer a reunião do diretório da legenda.

PP no governo. O Palácio do Planalto vem sinalizando nos últimos dias que está disposto a ampliar o espaço do PP no governo. Apesar de ter afirmado que só fará reestruturação na Esplanada dos Ministérios após a votação do impeachment na Câmara, na terça, a presidente Dilma entregou a diretoria-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) para Antonio Iran Costa Magalhães, nome ligado ao deputado Macedo (CE), recém-filiado ao PP, após deixar o PSL. Oficialmente, o PP afirma que a nomeação do Dnocs faz parte de uma "dívida antiga" da presidente com a sigla. 

Além da diretoria-geral do Dnocs, a cúpula do PP espera, para os próximos dias, mais nomeações para o segundo escalão do governo, principalmente para o Banco do Nordeste (BNB) e para a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

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