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Indígenas interditam BR-428 na visita de Dilma a Cabrobó

Angela Lacerda - Agência Estado

13 Maio 2014 | 17h 29

'O Poder Judiciário deveria meter todo mundo na cadeia, inclusive a presidente Dilma', disse o líder Yssô Truká

Protestos com interdição da BR-428 marcaram a visita da presidente Dilma Rousseff ao município de Cabrobó (PE), a 580 quilômetros do Recife, onde vistoriou obras da transposição do Rio São Francisco. A presidente nada viu durante a sua rápida passagem de 25 minutos pelo local. Não fez discursos nem deu entrevista. Limitou-se a tirar fotos com alguns operários da obra.

O líder Yssô Truká, indignado, comandou uma dança Toré, de protesto, no quilômetro 27 da BR-843, a cerca de 3 quilômetros do local visitado pela presidente. Ele "pediu postura e respeito do governo em relação à comunidade indígena" e defendeu que o Brasil seja passado a limpo. "O Poder Judiciário deveria meter todo mundo na cadeia, inclusive a presidente Dilma. Quem cala consente."

Contrário à transposição do São Francisco desde o seu anúncio, ele defende que a transposição só atende os interesses do agronegócio. "Fomos traídos pelos governos Lula e Dilma. Os indígenas estão sendo massacrados pelas ações do governo federal", disse.

A comunidade Toré em Cabrobó vive na ilha de Assunção, com uma população de 6 mil pessoas, a maioria da etnia.

Populares também se manifestaram contra o governo, liderados pelo funcionário público estadual Elioenai Dias Filho, 25 anos. Ele cobra promessas do governo federal em relação ao município, anunciadas desde 2005. As mesmas cobranças e pleitos foram entregues pelo prefeito de oposição, Auricélio Torres (PSB), a representantes da Casa Civil, para que chegassem às mãos da presidente. O prefeito, aliado do ex-governador e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos, estava indignado porque não teve oportunidade de falar no evento.

Outro membro do PSB, o cacique e vereador Neguinho Truká, criticou o forte aparato de segurança durante a visita de Dilma. "Proibir o povo de se aproximar é um absurdo", disse. O cacique foi contrário à transposição, mas, diante do fato consumado, diz torcer para que a água chegue realmente a quem precisa e que o Rio São Francisco seja revitalizado. Ele lembrou que parte da população de Cabrobó, embora viva perto do rio, não vai se beneficiar com a água da transposição.