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Indígenas fazem vigília e negociam saída de plenário da Câmara

O ato marca os 27 anos da Constituição Federal e é um protesto contra as alterações das normas de demarcação de terras indígenas

Carla Araújo, Daniel Carvalho, Igor Giannasi e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2015 | 22h29

BRASÍLIA - Parlamentares negociaram na madrugada desta terça-feira, 6, a saída dos indígenas da Câmara dos Deputados ao amanhecer. Os manifestantes ficarão no plenário 1 até as 7h.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) conversou no final da noite de segunda-feira, 5, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por telefone.

Cunha, segundo o senador, ofereceu duas opções: aceitaria receber representantes indígenas ao meio-dia se eles saíssem nesra madrugada ou deixaria eles ficarem até as 7h, mas sem recebê-los.

As lideranças indígenas não aceitaram a saída imediata.

Por volta das 22h, Cunha ordenou que os seguranças desligassem o ar-condicionado do plenário. Pouco antes das 23h, as luzes foram desligadas.

Homens da Polícia Legislativa equipados com escudos, capacetes e cacetetes posicionaram -se nas saídas do plenário, mas, até o momento, não houve confronto.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) presidiu uma sessão da Comissão de Direitos Humanos sem autorização de Cunha. Sete deputados e um senador estão com os manifestantes no plenário.

Indígenas, quilombolas e pescadores artesanais estão na Câmara desde a tarde de segunda-feira. O ato marca os 27 anos da Constituição Federal e é um protesto contra as alterações das normas de demarcação de terras indígenas propostas por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação na Câmara. "São 27 anos de direitos violados e violência contra o nosso povo", disse o líder Voninho Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do sul. 

Mais cedo, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) chegou a propor ao grupo um acordo para que eles pudessem permanecer até as 7 horas da manhã e depois uma comissão de 25 representantes seria recebida por Cunha. Minutos depois, ele comunicou aos manifestantes que o presidente da Câmara não aceitou o acordo. Cunha, no entanto, afirmou que não mandará a segurança da Câmara retirar à força os indígenas. 

Um grupo de cerca de 200 indígenas, que ocupa no plenário 1 da Câmara dos Deputados, pretende fazer uma vigília no local até esta terça-feira, 6, e esperam ser recebidos pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

"O inimigo do quilombola é o mesmo do indígena, do pescador artesanal", disse Fátima Barros, quilombola da ilha do São Vicente, do Tocantins. Segundo ela, há representantes de 40 etnias indígenas, 30 comunidades quilombolas e pescadores de quarto estados. 

Após consultarem o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, seguranças liberaram a entrada do líder do PT, deputado Sibá Machado, no Plenário onde 200 indígenas fazem uma vigília. Ativistas fizeram pronunciamentos no escuro, já que perto das 23 horas às luzes do plenário foram apagadas. "Vou ficar aqui até o final é acompanhar", disse Sibá.

Pouco depois das 22 horas, o deputado Paulo Pimenta (pt-rs) resolveu abrir a sessão simbólica na Comissão de Direitos Humanos.  O presidente da Câmara afirmou que não autorizou a sessão e que os manifestantes ficarão na condição de "invasores".

Nas portas de acesso ao plenário há policias legislativos federais. Também está na vigília a vice-procuradora geral do Ministério Público Federal, Debora Duprat. Além de Pimenta e Sibá, os deputados Elvino Bohn Gass (PT-RS), Alessandro Molon (Rede-RJ), Chico Alencar (PSOL-RJ) e o senador Lindberg Farias (PT-RJ) foram ao local na madrugada de segunda para terça-feira e tentavam uma solução para o impasse.

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