Geraldo Magela/Agência Senado
Geraldo Magela/Agência Senado

Indicado de Temer para ANTT é acusado de receber propina no Rodoanel

Mário Rodrigues Júnior teria recebido um repasse de R$ 1,2 milhão, dizem delatores da Odebrecht

André Borges, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2018 | 17h51

BRASÍLIA – O novo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Mário Rodrigues Júnior, nomeado nesta terça-feira, 20, pelo presidente Michel Temer, é acusado de ter recebido propina durante a construção do Rodoanel, em São Paulo. 

Ex-executivos da OAS e da Andrade Gutierrez, conforme reportagem publicada pelo ‘Estado’ no último sábado, 17, afirmaram em depoimentos à Polícia Federal que pagaram propinas a autoridades de São Paulo que, segundo eles, tinham como destino final a campanha do PSDB ao governo do Estado em 2006.

Os depoimentos de Carlos Henrique Barbosa Lemos, ex-diretor da OAS, e de Flávio David Barra, ex-presidente da Andrade Gutierrez Engenharia, foram prestados no âmbito do inquérito no Supremo Tribunal Federal que investiga o atual senador José Serra (PSDB-SP), aberto com base na delação premiada da Odebrecht.

O ex-diretor da OAS afirmou que empreiteiras fizeram um acordo em 2006 para o repasse de R$ 30 milhões ao ex-secretário de Transportes de São Paulo Dario Rais Lopes. Segundo Lemos, os recursos eram referentes a obras do Rodoanel e abasteceram o caixa 2 do PSDB. Lemos disse ainda que parte dos valores foi repassada em espécie para Mário Rodrigues Júnior, então diretor de engenharia da Dersa. Outra parte, segundo ele, foi “transferida na forma de doações eleitorais ao PSDB devidamente registradas na Justiça Eleitoral”. 

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Mário Rodrigues Júnior foi citado por delatores da Odebrecht como destinatário de um repasse de R$ 1,2 milhão. Lemos e David Barra confirmaram à PF acusações feitas por delatores da Odebrecht. Com a Andrade e a OAS, já são três empresas, das cinco que lideraram as obras do Rodoanel paulista, cujos ex-dirigentes admitiram pagamentos à campanha tucana como contrapartida pelos contratos. 

Mário Rodrigues já era um dos quatro diretores da agência com mandato. Com a nomeação por Temer, ele fica na diretoria-geral até 2020. Ele assumiu o posto antes ocupado por Jorge Luiz Bastos. Por meio de nota, a ANTT declarou que Mário Rodrigues Júnior “não comenta conteúdos que serão objeto de exame pelo poder judiciário”.

A Dersa informou, na semana passada, que tem interesse no andamento das investigações e ressarcimento dos danos que venham a ser apurados. A empresa afirmou que todas as obras realizadas pela companhia foram licitadas obedecendo-se à legislação em vigor. “Se houve conduta ilícita com prejuízo aos cofres públicos, o Estado irá cobrar as devidas responsabilidades, como já agiu em outras ocasiões”, declarou.

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