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Política

PMDB

Indicação de ministro fica para depois da eleição de líder do PMDB

Planalto decide escolher nome para Secretaria de Aviação Civil só após a definição do comando da bancada do partido na Câmara

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DAIENE CARDOSO, IGOR GADELHA e DANIEL CARVALHO,
O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2016 | 03h00

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto decidiu adiar para depois da eleição do líder do PMDB na Câmara, marcada para 17 de fevereiro, a indicação do novo ministro da Secretaria de Aviação Civil. O cargo vinha sendo negociado com o PMDB de Minas Gerais como uma estratégia para dividir a ala pró-impeachment da bancada do partido na Casa. A ideia era ajudar na recondução do atual líder, Leonardo Picciani (RJ), que é contra o impedimento da presidente Dilma Rousseff.

A decisão foi tomada depois de um encontro entre o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, e o deputado Hugo Motta (PB), que oficializou nesta quarta-feira, 20, sua candidatura para disputar a liderança com Picciani e Leonardo Quintão (MG), que tem, dentre seus eleitores, deputados favoráveis ao impeachment. Motta é apoiado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto do Planalto e responsável pela deflagração do processo de impeachment na Câmara. 

A candidatura de Motta foi confirmada nesta quarta-feira. A estratégia de Cunha é tentar dividir os votos de Picciani com Motta, fazendo com que a disputa vá ao 2.º turno. Nesta fase, Cunha aposta que a união entre os grupos de Quintão e Motta aumenta as chances de derrota de Picciani. Quintão e Motta fecharam acordo de apoio mútuo em eventual 2.º turno. Também acertaram pacto de não agressão na campanha. A ideia é que ambos centrem críticas em Picciani. A expectativa é de que, juntos, obtenham até 40 dos 67 votos da bancada no 1.º turno. 

Durante a campanha, os dois pretendem afastar o debate sobre o impeachment para evitar racha na bancada entre grupos pró e antigoverno. “Esse tema não faz parte da minha campanha. Não sou candidato a capitão do impeachment nem a capitão contra o impeachment”, disse Motta. Quintão também tem dito que não pretende pautar esse debate durante a campanha.

Picciani, por sua vez, diz não ser possível se esquivar. “Não basta o candidato dizer que é contrário quando boa parte de seus apoiadores é favorável. Não tem como subestimar a inteligência alheia”, declarou. 

Uma das estratégias de Motta para evitar ser tachado como candidato pró-impeachment é desvincular sua candidatura da imagem de Cunha. Em sua primeira entrevista como candidato, afirmou que vai ganhar a eleição com carimbo de candidato de Cunha ou não. “Eduardo Cunha, como todo e qualquer deputado do PMDB, é eleitor. Eu irei, sim, buscar o apoio do deputado Eduardo Cunha, como dos outros deputados.”

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