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Incra gasta R$ 448 mil em evento no Congresso do MST

EDUARDO BRESCIANI - Agência Estado

24 Fevereiro 2014 | 21h 42

Corrigido em 25.02, às 10h35

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aplicou R$ 448,1 mil para montar a estrutura para um evento que ocorreu dentro do 6º Congresso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado há duas semanas e que culminou com um conflito entre militantes e policiais na Praça dos Três Poderes no dia 12 de fevereiro. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta segunda-feira, 24, mostrou que Caixa e BNDES destinaram, sem licitação, R$ 550 mil em patrocínios a uma entidade ligada ao MST, a Associação Brasil Popular (Abrapo), para a realização de uma Mostra no mesmo Congresso.

Em nota, o Incra afirma que os recursos foram aplicados para a contratação de uma empresa "para montagem de estrutura de feira, transporte de mercadorias e montagem de estandes da Feira Nacional da Reforma Agrária". A autarquia destaca que a contratação foi feita com licitação e que não houve repasse a nenhuma entidade.

A Feira Nacional da Reforma Agrária foi realizada na área externa do ginásio Nilson Nelson, na área central de Brasília, e a requisição ao governo do Distrito Federal para a cessão da área foi feita pela Abrapo, mesma entidade que recebeu os patrocínios da Caixa e do BDNES. O Incra não soube informar se o evento era de responsabilidade da entidade e sustentou que apoia ações de comercialização de produtos de assentados desde 2000.

O 6º Congresso do MST foi realizado de 10 a 14 de fevereiro e reuniu 15 mil pessoas. No dia 12, uma marcha organizada pelo movimento saiu do ginásio e percorreu cerca de cinco quilômetros até a Esplanada dos Ministérios. O objetivo declarado era a entrega de uma carta ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com compromissos não cumpridos pela presidente Dilma Rousseff na área da reforma agrária. No decorrer da passeata, o grupo de sem-terra integrou-se a petistas acampados em frente ao STF desde as prisões do mensalão, ameaçando invadir a Corte. Na presidência dos trabalhos, o ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a sessão que ocorria no momento.

Um cordão de isolamento feito por policiais e seguranças da Corte impediu os manifestantes de avançar em direção ao Supremo. Eles então se dirigiram ao outro lado da Praça dos Três Poderes, rumo ao Palácio do Planalto. Quando os sem-terra romperam as grades colocadas na Praça o conflito começou. Manifestantes atiravam cruzes que faziam parte da marcha, pedras e rojões contra a polícia, que usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os militantes. Ao todo, 30 policiais e dois manifestantes ficaram feridos.