Incra contesta números do MST sobre reforma agrária

Ao justificar o recrudescimento de suas ações no Estado de São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) costuma alegar que o processo da reforma agrária está praticamente paralisado no Estado e que o governo federal evita criar assentamentos em regiões desenvolvidas, preferindo levar as famílias para áreas distantes e de difícil acesso, no Norte do País. Essas justificativas são contestadas, porém, pelo superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo, Raimundo Pires Silva. De acordo com suas informações, ao contrário do que alega o MST, a reforma em terras paulistas caminha em ritmo acelerado.

AE, Agencia Estado

12 Outubro 2009 | 08h48

Números reunidos pelo superintendente indicam que existem 109 assentamentos do governo federal no Estado. Deste total, 40 surgiram nos últimos sete anos, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso representa uma média de quase seis novos assentamentos por ano. Em números de famílias assentadas, foram 6 mil no mesmo período de 2003 a 2007 - o que corresponde a 62% do total de 9.530 que já ganharam lotes do governo federal no Estado. Na área ao redor de Iaras, que fica na região centro-oeste do Estado e ganhou notoriedade nos últimos dias por causa da destruição de um laranjal da empresa Cutrale por militantes do MST, foram assentadas mais de 2 mil famílias nos últimos dois anos.

A região onde a reforma agrária mais avançou recentemente, segundo relatório que acaba de ser produzido pela superintendência regional, foi a de Andradina, na parte noroeste do Estado. Ela ganhou um conjunto de 29 assentamentos, com 2.676 famílias, no governo Lula. Cada família assentada recebe R$ 21,4 mil para se instalar. Uma parte do dinheiro é destinada para a compra de ferramentas e animais, outra para a construção da habitação e uma terceira para o início da produção agrícola. Entre 2003 e 2008 foram despendidos R$ 122,7 milhões nesse processo.

Depois de instaladas, as famílias têm direito a créditos para manter a produção, melhorar a moradia, instalar cooperativas e outras atividades. Entre 2006 e 2009, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) liberou quase R$ 64 milhões para assentados de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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