BASTIDORES: Impeachment vem perdendo força, avalia Planalto

Peça tem informação de que a presidente Dilma Rousseff cometeu irregularidades fiscais não só em 2014, mas também neste ano

Vera Rosa, Tânia Monteiro e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2015 | 02h06

O governo avalia que o pedido de impeachment protocolado ontem na Câmara dos Deputados não vai prosperar. Embora os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior tenham incluído na peça a informação de que a presidente Dilma Rousseff também cometeu irregularidades fiscais neste ano, e não apenas em 2014, o Palácio do Planalto acredita não haver clima político para aprovar o afastamento.

Em reunião realizada ontem com integrantes da coordenação política de governo, Dilma deu a senha para a nova estratégia: a ordem é ignorar o movimento da oposição, na tentativa de sair da agenda negativa.

No Planalto, o comentário é que, mesmo se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acatar o pedido dos juristas - com apoio de partidos como PSDB, DEM e PPS -, os governistas já têm votos suficientes para barrar sua tramitação na Casa. Para instaurar o processo na Câmara são necessários 342 dos 513 votos dos deputados.

Cunha ainda ameaça Dilma com a espada do impeachment e tem um comportamento imprevisível, mas o governo acha que, na hora H, ele não fará o que a oposição quer.

A avaliação do Planalto é que Cunha não tem nada a ganhar dando o pontapé inicial no impeachment. Em conversas reservadas, ministros dizem que, se isso acontecer, ele será derrubado no dia seguinte pela oposição.

Enquanto não der seu "veredicto", Cunha ainda é a noiva cobiçada tanto pelo governo como pela oposição e joga com isso, mesmo não tendo credibilidade para levar qualquer processo adiante. Até oito dias atrás, o Planalto e a cúpula do PT ainda tentavam um acordo com ele, para livrá-lo da investigação no Conselho de Ética, que pode resultar na perda do mandato. Em troca, Cunha não avançaria nenhuma casa no tabuleiro do impeachment. Apesar das negativas, o acordo existiu. Hoje, porém, não é mais necessário. Motivo: a situação de Cunha é considerada insustentável.

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