PSDB/Divulgação
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Imbassahy diz que revisão de acordo pode fragilizar denúncia

'É um fato gravíssimo revela o caráter, a conduta de alta periculosidade dos dois principais parceiros da JBS', disse o ministro

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 13h28

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, disse nesta terça-feira, 5, que as revelações feitas pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, e que podem levar à revisão dos benefícios de delações da J&F, fragilizam uma eventual segunda denúncia contra presidente Michel Temer (PMDB) e defendeu que os áudios que estão sendo investigados sejam logo divulgados.

"Fragiliza bastante num primeiro momento porque está se caracterizando que houve inclusive uma coisa urdida, com a participação de um dos principais auxiliares do PGR", disse Imbassahy, após participar de uma solenidade no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.

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A determinação de Janot para a abertura de investigação que poderá desembocar no cancelamento do acordo de delação da JBS ocorreu em razão do que o procurador-geral classificou de "indícios de crimes gravíssimos", envolvendo o seu ex-auxiliar Marcelo Miller.

"Como disse o próprio procurador-geral da República, é um fato gravíssimo revela o caráter, a conduta de alta periculosidade dos dois principais parceiros da JBS. E certamente vai trazer impacto nessas denuncias que foram promovidas nos últimos tempos", avaliou Imbassahy.

Segundo o ministro, no entanto, é preciso aguardar o desdobramento dos fatos. "Fundamental é que se torne conhecido o áudio, para que se perceba a extensão da gravidade do assunto", afirmou o ministro, que defendeu o instituto da delação premiada. "Tem que preservar. O instituto da delação é de alta qualidade. Se alguma coisa tem que se fazer para corrigir isso é ao longo do tempo", completou.

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Apesar de dizer que sente um clima melhor no Congresso com as revelações feitas nesta segunda-feira por Janot, Imbassahy não quis cravar que a Reforma da Previdência pode ganhar novo fôlego e ressuscitar na Câmara. “Vai se ver ao longo do tempo. Esse fato aconteceu ontem no final da tarde. É preciso que conheça o áudio por inteiro a sociedade exige isso”, reforçou.

Imbassahy disse ainda que falou com Temer todos os dias durante a viagem do presidente para China e disse que eles comentaram o assunto “com serenidade e tranquilidade”. “Evidentemente que ele comentou esse assunto, mas mantendo a tranquilidade e a serenidade de um resultado que vai caracterizar a isenção dele, a conduta de base que ele sempre praticou ao logo da vida pública”, disse.

Ao ser questionado se os novos fatos poderiam ajudar a diminuir o racha no PSDB, seu partido, e angariar mais parlamentares para a base de Temer, Imbassahy afirmou que é preciso aguardar. “Não sei. É preciso conhecer melhor o áudio, o impacto foi muito grande, eu percebo isso, inclusive a mudança no ambiente aqui no Congresso.  Agora é aguardar um pouco”, disse. Segundo o ministro sua posição continua de acreditar na “robustez da base aliada”.

Ministro do núcelo duro de Temer, Eliseu Padilha também foi questionado, nesta manhã, sobre as revelações feitas na segunda-feira por Janot, mas o chefe da Casa Civil evitou comentar. “Tem que analisar melhor. Eu não tenho opinião formada”, limitou-se a responder, na saída de um evento na Câmara.

No Planalto, a revelação foi vista por interlocutores como uma demonstração de que a defesa do presidente ganha força e que a segunda denúncia contra o presidente está "enfraquecida". De acordo com uma fonte próxima ao presidente, seria um absurdo vir uma segunda denúncia baseada no áudio "do verdadeiro maior bandido da república", em uma referência ao termo usado por Joesley Batista, que chamou o presidente maior "ladrão da república".

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