Henrique Eduardo Alves vai pagar R$ 9,7 mil por 'caronas' em voo da FAB

Presidente da Câmara levou seis pessoas em jatinho oficial de Natal ao RJ para ver o jogo Brasil x Espanha

EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

03 Julho 2013 | 11h48

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), vai devolver aos cofres públicos R$ 9,7 mil por ter levado a família em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ver a final da Copa das Confederações no domingo passado, no Maracanã. O valor foi calculado pela assessoria do deputado tendo como base o preço médio de passagens de ida e volta entre Natal e o Rio de Janeiro.

Notícia do jornal Folha de São Paulo revelou que Alves deu carona a sete pessoas, entre elas a noiva Laurita Arruda, o irmão dela, Arturo, e a esposa, Larissa, além de um filho e dois enteados no avião da FAB. A justificativa para o uso do jato foi um almoço no sábado com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), do qual também participou o senador Aécio Neves (PSDB). O encontro não estava previsto na agenda oficial de nenhum dos três.

Para o cálculo do valor a ser ressarcido, o gabinete do deputado levou em conta o preço de passagens entre o Rio e Natal no horário do voo, cerca de R$ 1,3 mil. Uma viagem de jatinho no trecho pode custar muito mais, mas a assessoria de Alves argumentou que o parlamentar usaria a estrutura da FAB mesmo que não desse carona, pois tinha compromisso parlamentar no Rio.

Embora a agenda fosse apenas no sábado, Alves e a família decolaram de Natal num jato C-99 às 19h de sexta-feira, voltando do Rio somente às 23h de domingo, após a final. "Meu erro foi ter permitido que pessoas me acompanhassem pegando carona nesse voo. Por esse erro, estou aqui reconhecendo e já mandei ressarcir o valor de cada passagem", admitiu o peemedebista ontem, ao chegar à Câmara.

O decreto 4244, de 2002, que disciplina o uso da frota oficial, diz que os aviões podem ser usados por "motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente", nessa ordem de prioridade. A norma não diz quem pode ou não acompanhar autoridades nesses voos.

Na prática, não há transparência sobre a presença de caroneiros nos voos. A FAB alega não ter registro desses passageiros. Ao requisitar uma aeronave, a autoridade comunica apenas a quantidade de pessoas que pretende levar. Alves teria solicitado jatinho com capacidade para 14 pessoas.

O grupo que viajou com o deputado fez passeios na capital fluminense no fim de semana. No Twitter, Alves comemorou a vitória do Brasil: "Brasil, Seleção nota 10! E a torcida também, nota 10! O campeão voltou!!" A noiva postou: "O campeão voltou... Rouquidão de hoje compensada".

Reportagem do Estado, publicada em abril, mostrou que o primeiro escalão dos Três Poderes já fez mais de 5,8 mil voos, com custo estimado em R$ 44 milhões, em pouco mais de dois anos de governo Dilma. Não raro, as autoridades embarcam para viagens que mesclam compromissos oficiais a agendas de cunho pessoal e partidário.

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