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Haddad diz que Serra 'só traz o mal para a cidade'

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2012 | 21h 29

Petista não poupou críticas ao rival tucano e disse que ele 'degrada o ambiente político'

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, adotou nesta quarta-feira, 19, discurso maniqueísta contra seu adversário tucano, José Serra, a quem chamou de "triste", "pessoa que só traz o mal para a cidade" e que "degrada o ambiente político".

"Ele (Serra) é uma pessoa que só traz o mal para a cidade de São Paulo, para o Estado. Uma pessoa que não tem a menor generosidade nem com as pessoas do partido dele", afirmou Haddad, após caminhada na Cachoeirinha, zona norte. "Uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento humano, que a toda hora alguém tem que dizer que ele chora, que é sensível, tamanha a falta de humanidade da pessoa."

Haddad adotou o tom maniqueísta no dia em que reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo mostrou que seus advogados usaram o termo "degradante" ao pedir à Justiça Eleitoral direito de resposta contra propaganda de Serra. A peça diz que, se o eleitor votar no petista, "voltam" à cena figuras como o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro Delúbio Soares, réus do julgamento do mensalão, e o deputado Paulo Maluf (PP). O pedido do PT foi negado pela Justiça.

Para Haddad, houve "má interpretação" do uso do termo "degradante". O petista disse que a peça tucana "degrada o ambiente político" e "desinforma a população" ao transmitir a ideia de que os citados fariam parte de um futuro secretariado. Haddad nega essa hipótese - para fechar a aliança, o PP conseguiu a nomeação de um apadrinhado de Maluf no Ministério das Cidades.

O verbo degradar é usado pela Lei das Eleições para definir as hipóteses proibidas no horário eleitoral. O dispositivo veda a veiculação de mensagens que possam "degradar ou ridicularizar" candidato, partido ou coligação.

Polarização. Haddad tem demonstrado incômodo com a estratégia tucana de mencionar o julgamento do mensalão na disputa municipal - tática adotada pela primeira vez em 24 de agosto, pelo rádio, ao apelidar o bilhete único mensal proposto pelo petista de "bilhete mensaleiro".

O QG petista orienta Haddad a investir na polarização com Serra - os dois candidatos estão tecnicamente empatados, distantes do líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB). A campanha do PT quer levar à propaganda eleitoral as denúncias contra o ex-diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov) Hussain Aref Saab, nomeado por Serra e mantido no cargo pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) até vir a público a informação de que ele é dono de mais de uma centena de imóveis.

"Ele acha que a estrela dele vai brilhar tentando apagar a minha? A minha estrela não vai apagar com os ataques dele", afirmou Haddad. "Ele precisa nascer de novo para ter o brilho que eu tenho."