Haddad defende valorização de professores em plano

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou hoje, durante audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, que considera crucial a valorização dos professores no Plano Nacional de Educação (PNE). "Nós tivemos a coragem de fixar uma meta de formação dos docentes com responsabilidade do Estado. O professor tem direito à formação continuada", disse.

WLADIMIR D'ANDRADE, Agência Estado

13 Abril 2011 | 20h05

Entre as vinte metas estabelecidas pelo plano, quatro se referem à formação e à remuneração do magistério. A Câmara dos Deputados instalou hoje uma comissão especial para a análise do PNE, que deve ser votado no segundo semestre.

O ministro destacou a aprovação do piso nacional dos professores, mas lembrou que o salário médio no ensino equivale a 60% da remuneração média de outros profissionais com formação superior. "Se nós quisermos valorizar a educação no País, não temos como dissociar o debate dos trabalhadores da educação", disse.

Na avaliação de Haddad, a questão salarial é um dos principais motivos para o déficit de professores na rede educacional, uma vez que, segundo ele, 277 mil docentes são formados todos os anos, número que seria suficiente para suprir a demanda nas escolas públicas. "O número de licenciados cresce sistematicamente, mas esses profissionais são muito disputados pelo mercado de trabalho", disse. "A escola precisa ser atraente, do ponto de vista da remuneração. Sem isso, não existe mágica, não vamos prosperar", acrescentou.

Enem

Após o evento, em entrevista, o ministro afirmou também que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep) deve anunciar em breve a data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011. Haddad não falou em mudanças que, segundo ele, dependem de outros órgãos, como os Correios e a Polícia Militar (PM).

Sobre melhoras no processo seletivo, o ministro limitou-se a dizer que o Inep tem uma equipe permanente para blindar o exame. Segundo ele, os erros ocorridos nas últimas edições da prova se devem a uma infelicidade na contratação da gráfica, onde ocorreu o vazamento do exame em 2009, e a problemas de impressão, no ano passado.

Haddad negou que seja um dos nomes cotados para disputar pelo PT a Prefeitura de São Paulo em 2012. O nome do ministro tem sido defendido, nos bastidores, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer um candidato novo para a disputa.

Haddad disse que, em sua visita à Assembleia Legislativa paulista, não abordou o assunto com a bancada do PT. "Não entendo essa lógica. Há um mês, eu estava fora do ministério; agora sou candidato a prefeito", ironizou. "Gosto do que faço e tenho muitas questões para enfrentar. Não quero saber de mais problemas", disse.

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