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'Guerra' subterrânea marca reta final das prévias do PSDB

- Atualizado: 26 Fevereiro 2016 | 11h 08

Andrea Matarazzo e João Doria Jr promovem disputa com denúncias que vão do uso da máquina à cooptação de apoio político mediante compensação financeira

Andrea Matarazzo e João Doria Jr
Andrea Matarazzo e João Doria Jr

São Paulo - Na reta final das prévias do PSDB que definirão o candidato do partido à Prefeitura de São Paulo, aliados do vereador Andrea Matarazzo e do empresário João Doria estão promovendo uma disputa subterrânea com denúncias que vão do uso da máquina pública até a cooptação de apoio político mediante compensação financeira.

Aliado de Matarazzo, o vereador tucano Adolfo Quintas conta que estava em um salão de barbeiro em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste, quando encontrou o militante Gutemberg Torquato Pereira, que é correligionário de Doria, e fez uma provocação. “No dia 28 (data do primeiro turno da eleição) você não ganha mais nada dele”. O aliado do empresário, que pela primeira vez tenta ser candidato a um cargo eletivo, teria respondido que, caso o pagamento não saísse, Doria não receberia os votos da região. “Se não sair o segundo pagamento no dia 27 (amanhã), ninguém vota. O homem (Doria) tem muito dinheiro, precisa gastar”. 

O diálogo relatado pelo parlamentar tucano foi gravado com um microfone escondido e logo passou a circular nos canais de debate virtuais da legenda. “Não fui eu quem gravou e não sei quem foi. Mas existem quatro ou cinco gravações como essa circulando no partido. O Doria está pagando para um monte de gente que nem é filiada ao PSDB”, diz Adolfo Quintas. 

Procurado pelo Estado, Guttemberg afirma não ter recebido nada de Doria e que gravação é uma “montagem”. 

“Eu não estou ganhando nada. Isso é tudo montagem. Está todo mundo desesperado”. A assessoria de Doria, por sua vez, afirma que a pré-campanha é formada apenas por voluntários, mas reconhece que paga uma ajuda de custo. 

“Logicamente a campanha reembolsa as despesas de transporte e alimentação dos colaboradores”, afirma a assessoria. 

Tom de brincadeira. Aliado de Doria, o vice presidente do PSDB paulista, Evandro Losacco, afirma que pedirá que o partido na capital instaure uma comissão de ética para investigar a conduta de Rodolpho Barbosa, presidente da Juventude do PSDB na capital e assessor de Matarazzo na Câmara Municipal. Ele teria feito uma gravação clandestina de uma conversa com o militante Anderson Silva Carvalho, conhecido como Celebridade, que apoia Doria. 

“Ficamos sabendo que o Rodolpho ligou na madrugada de carnaval para o Celebridade, que é seu amigo. Em um momento de relaxamento ele falou coisas que não procedem e inventou histórias. Foi uma armação”, diz Losacco. Reportagem publicada ontem no jornal Folha de S.Paulo mostra um diálogo no qual Celebridade diz a um interlocutor não identificado que “ninguém quer ‘trampar’ de graça” para João Doria. 

“Era 1h30 da madrugada do carnaval e eu tinha tomado uma cervejinha. Falei em tom de brincadeira porque somos amigos. Quer dizer, éramos”, disse Carvalho ao Estado. 

O assessor de Matarazzo nega. “Não fiz gravação nenhuma. Isso é mentira”, afirma. 

Dupla jornada. Em outra frente, aliados de Doria acusam Rodolpho de atuar em atividades de pré-campanha no horário de expediente. Ele aparece em fotos divulgadas nas redes sociais em atividades nos diretórios do PSDB em dias de semana e em horário de expediente. O assessor alega que atuou apenas após o expediente ou em seu horário de almoço. Recentemente, Andrea exonerou quatro funcionários de seu gabinete para atuarem na pré-campanha. 

Matarazzo e Doria concorrem com o deputado federal Ricardo Tripoli

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