Grupo propõe a Renan deixar Presidência e manter mandato

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h54

Um grupo parlamentares negocia com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) a sua renúncia à Presidência do Senado, mantendo o seu mandato. O grupo é encabeçado pelo líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), e articula uma solução intermediária, que poderia ser uma punição aplicada pelo Conselho de Ética, pelo fato de Renan se relacionar com um lobista. Renan não seria mais processado por ter supostamente recebido dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, já que a comprovação ou não destes pagamentos seria desgastante para o senador e para o próprio Senado. A punição, branda, seria aplicada apenas pelo fato de Renan ter exposto a presidência da Casa a uma relação suspeita com o lobista. O senador reafirmou nesta quarta-feira, 20, que não renuncia. "Renúncia não existe no meu dicionário. Sou um homem de luta, forjado na luta. Quem fala em renúncia não me conhece", disse Renan, em resposta às pressões que vem recebendo para deixar o cargo. Renan insiste na estratégia de encerrar nesta quarta o processo que enfrenta por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. "O país todo, todo mundo espera que o Conselho de Ética decida. Quanto mais rápido melhor, porque ajuda a retomada da normalidade do Brasil, da democracia e das instituições", afirmou. O grupo esteve reunido com Renan na noite de terça-feira, 19. Os parlamentares argumentaram que a situação do presidente do Senado é crítica, e que a situação prejudica a própria instituição. Outras alternativas estão em estudo, mas a punição branda pelo Conselho de Ética parece a mais viável. Outra linha, defendida pelo senador José Sarney (PMDB-AP), é a de que o caso de Renan seja remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), para tirar o problema das mãos do Senado. Mas os parlamentares liderados por Jucá observam que há impedimentos jurídicos. Oficialmente, Renan não é investigado pela Polícia Federal e, portanto, o STF não teria como admitir um processo contra ele. A PF entregou na terça-feira, 19, um laudo inconclusivo, no qual declarou que a inconsistência de dados e incompatibilidade entre as datas das operações de venda de gado, cheques de pagamento e recibos impediram atestar a autenticidade ideológica dos documentos entregues pela defesa de Renan. O relatório não descarta a hipótese de que a documentação pode ter sido maquiada.

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