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Grupo faz protesto em frente à casa de Ustra em Brasília

LEONENCIO NOSSA - Agência Estado

31 Março 2014 | 21h 17

Um grupo de 150 militantes do Levante Popular, do Movimento dos Pequenos Produtores e da Juventude do MST realizou na tarde desta segunda-feira um "escracho" em frente à casa do coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, em um bairro nobre de Brasília. Os participantes da manifestação pregaram cartazes com fotos de pessoas que foram mortas e torturadas nas dependências do temido DOI-CODI, em São Paulo, durante o comando de Ustra, nos anos 1970.

Reconhecido como "torturador" pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em 2008, Ustra prestou depoimento em maio à Comissão Nacional da Verdade. Na época, ele chegou a apresentar um habeas corpus para não responder às perguntas, mas depois acabou dando um depoimento tortuoso, em meio a ironias e irritações. Ustra admitiu que tinha o controle total do DOI-CODI no período dos assassinatos e torturas. O coronel disse que não era um assassino e apenas cumpria ordens.

Uma das coordenadoras do protesto, a estudante Bárbara Loureiro, 24 anos, que faz pós-graduação na área de engenharia florestal, afirma que o grupo escolheu uma figura "emblemática" da ditadura no dia que o País lembra os 50 anos do golpe militar. "O levante já realizou 60 escrachos, mas esse é o primeiro em Brasília", observa. Bárbara diz que o objetivo dos "escrachos" não é fazer confronto, mas apenas denunciar agentes do regime militar. "É uma ação rápida, de denúncia", ressalta. O grupo também procura pressionar a Comissão Nacional da Verdade, chamando a atenção para nomes que atuaram na rede de violações de direitos humanos.

Os participantes do protesto chegaram à casa de Ustra em três ônibus. Por meia hora, cantaram músicas do tempo da ditadura, colaram cartazes na vidraça de frente da residência e no portão e escreveram no asfalto que ali morava um torturador. O agente estaria em casa no momento do protesto, mas não apareceu.

Em 2005, a família das ativistas de direitos humanos Janaina Teles, Maria Amélia Teles e Criméia de Almeida entraram com ação declaratória na Justiça para acusar Ustra de tortura no DOI-CODI. Três anos depois, o Tribunal de Justiça aceitou que o agente praticou ilícito que gerou danos morais. A defesa de Ustra tentou sem sucesso reverter a decisão inédita envolvendo um nome da repressão política.

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