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Grupo do PT recomenda envio do caso André Vargas à comissão de ética

Fernando Gallo - O Estado de S. Paulo - atualizado às 15h36

17 Abril 2014 | 13h 43

Deputado é suspeito de envolvimento com doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal

SÃO PAULO - O grupo composto por três integrantes do PT que ouviu as alegações do deputado André Vargas (PT-PR) na última sexta-feira recomendou à Executiva do partido o envio do caso à comissão de ética da sigla. A recomendação foi feita em breve relatório que narra as explicações de Vargas sobre seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que combate a lavagem de dinheiro.

Na terça-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, enviará o relatório com a sugestão dos três integrantes - Alberto Cantalice, Florisvaldo de Souza e Carlos Henrique Árabe - aos demais membros da Executiva, que decidirá sobre o encaminhamento à comissão de ética. Na própria terça, Falcão deverá decidir a data em que convocará o próximo encontro do colegiado.

O PT pressiona Vargas a renunciar. Líderes petistas, como o próprio Falcão e o líder do partido na Câmara, deputado Vicentinho (PT-SP), têm defendido publicamente que o deputado paranaense abra mão do mandato para estancar a sangria pública a que o partido tem sido submetido.

Vargas chegou a anunciar, no início da semana, que renunciaria ao mandato, mas recuou depois de ser informado de que a renúncia não interromperia o trâmite do processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que pode culminar com sua cassação. Na quarta-feira (22), o conselho deve deliberar sobre a admissão do processo contra o petista.

Dirigentes do PT chegaram a sinalizar que, caso renuncie, Vargas evitará o processo contra ele na comissão de ética do partido. Se ele ficar sem mandato, o caso não caberia mais à Executiva Nacional, e poderia ser extinto ou enviado à Londrina (PR), onde Vargas é filiado e onde controla parte do partido.

O líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (PT-SP) afirmou, em entrevista à rádio Estadão que acredita na criação de uma comissão de ética para avaliar a conduta de Vargas que "incomodou" o partido.

"Acho que será criada a comissão de ética. Não é uma condenação prévia, mas é para ouvir e decidir penalidades. Porque de qualquer maneira, mesmo que tenha essa relação de amizade com o doleiro, é doleiro conhecido, teve a passagem de avião, depois essa história das ligações. Tudo isso são fatores que incomodam", disse o parlamentar.