Gravação revela que ex-presidente do Detro no Rio recebia R$ 600 mil por mês em propina

Rogério Onofre recebeu R$ 600 mil mensais por anos para garantir que empresas de transporte associadas à Fetranspor não fossem fiscalizadas

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2017 | 23h10

RIO - O ex-presidente do Departamento de Transportes do Rio (Detro) Rogério Onofre recebeu R$ 600 mil mensais por anos para garantir que empresas de transporte associadas à Fetranspor, no Rio de Janeiro, não fossem fiscalizadas, revela áudio divulgado pelo programa Fantástico, da TV Globo. 

A gravação foi feita durante uma reunião que aconteceu em 2011 e foi descoberta durante as investigações da Polícia Federal do esquema de corrupção envolvendo empresas de transporte e a equipe do ex-governador fluminense Sérgio Cabral. 

Preso em agosto deste ano, Onofre está no presídio de Benfica, na zona norte do Rio, onde também está Cabral. Ele foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de ter recebido R$ 44 milhões em propina. Em entrevista ao Fantástico, o procurador da República Carlos Aguiar afirmou, no entanto, que o MPF "vai ter que trabalhar muito para descobrir o quanto eles roubaram". 

O áudio revela uma reunião em que Onofre cobrou do empresário Jacob Barata Filho e do ex-presidente da Fetranspor Lélis Teixeira pelo corte de R$ 400 mil no pagamento da propina que recebia mensalmente. Eles, então, responderam que o combinado era que Onofre receberia R$ 600 mil por garantir que não houvesse fiscalização e mais R$ 400 mil extras apenas quando realizasse outras tarefas. Uma espécie de "14o. salário" era pago anualmente nos períodos de autorizações de aumento das tarifas intermunicipais. 

Barata e Teixeira foram presos na semana passada, alvos da Operação Cadeia Velha, um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio. Segundo o Fantástico, os advogados dos envolvidos foram procurados e responderam que não reconhecem a gravação. Procurados pelo Estadão, os advogados de defesa não foram encontrados.

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