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'Grande prêmio para os delatores é envolver o Lula', afirma ex-presidente

Petista critica instrumento de colaboração com a Justiça e desafia 'promotor, delegado, empresário' a dizer que ele está envolvido em 'algo ilícito'

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Mário Braga e Ana Fernandes,
O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 10h54

Atualizado às 11h16

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira, 20, o instrumento jurídico da delação premiada e disse, em referência ao conteúdo revelado na Operação Lava Jato, que "o grande problema da delação premiada é que o grande prêmio para os delatores é envolver o Lula". Em entrevista a blogueiros na sede do instituto que leva seu nome, na capital paulista, o petista afirmou também que não há quem possa envolvê-lo em irregularidades. "Duvido que neste País tenha promotor, delegado, empresário, amigo ou não amigo, que tenha coragem de afirmar que eu tenha me envolvido em algo ilícito."

Ao fazer críticas ao que chamou de "vazamentos seletivos" contra suspeitos de envolvimento em esquemas de corrupção, Lula disse que atualmente se dá mais importância à "execração pública" que às decisões do Judiciário. "No Brasil, neste momento, nem habeas corpus as pessoas estão conseguindo. Está muito mais difícil que na ditadura militar", afirmou. No dia 8, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, negou pedido de libertação do empresário Marcelo Odebrecht. Outros investigados que foram presos pela Lava Jato também tiveram negados os pedidos de habeas corpus.

Lula também declarou apoio ao manifesto divulgado por advogados e juristas na sexta-feira com críticas à Lava Jato, a exemplo do que havia feito o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Para o ex-presidente, o documento é "pertinente e atualizado" - veja aqui os 9 pontos levantados pelos advogados e rebatidos por juízes e procuradores. "Está na hora de a sociedade brasileira acordar e exigir mais democracia, mais direitos humanos", avaliou Lula.

Segundo ele, é preciso reconhecer que os governos petistas criaram condições para investigações de grande porte como as que estão ocorrendo atualmente. "A presidente Dilma (Rousseff) ainda será enaltecida pelas condições criadas para punir quem não andar na linha neste País, do mais simples ao mais alto escalão", afirmou. Lula destacou que este tipo de reconhecimento não vem do dia para a noite e pode levar décadas.

PT. Para Lula, o PT está sendo "criminalizado" e precisa reagir "fazendo o embate político, para convencer as pessoas". "Nosso objetivo é o de não permitir que ninguém neste País destrua o projeto de inclusão social que começamos a fazer em 1º de janeiro de 2003. É isso que incomoda", afirmou o ex-presidente, ao atacar o processo de impeachment contra Dilma. "Os democratas não podem se conformar com essa tentativa de golpe explícito de quem fala em impeachment da Dilma."

Para Lula, a imprensa tem responsabilidade pela queda de confiança da população na economia do País e por não divulgar "notícias boas". O ex-presidente disse acreditar em retomada do crescimento econômico e afirmou que as pessoas precisam fazer sua parte e "deixar o ódio embaixo do tapete", embora reconheça que foi um erro adotar uma política econômica em 2015 oposta ao que havia prometido na campanha eleitoral do ano anterior. "Nós vamos voltar a crescer, a gerar emprego e esperança. O povo tem que acreditar que amanhã será melhor e que nem tudo é o síndico que resolve", disse. "De vez em quando é preciso fazer algo."

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