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Graça se esquiva e não responde sobre CPI da Petrobras

RICARDO BRITO E NIVALDO SOUZA - Agência Estado

15 Abril 2014 | 14h 29

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, esquivou-se hoje de se posicionar sobre uma eventual abertura da CPI para investigar assuntos que envolvem a estatal. "Não vou me posicionar sobre a CPI. Não tenho conhecimento técnico sobre ela", disse em audiência pública a duas comissões do Senado.

Os líderes do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), do DEM, Agripino Maia (RN), e do Psol, Randolfe Rodrigues (AP), defenderam durante o encontro a abertura da comissão parlamentar de inquérito para dar a Graça Foster os instrumentos para "passar a limpo" a estatal. Eles questionaram a eficácia de apurações internas.

Graça Foster também admitiu que deveria conhecer o Comitê de Proprietários de Pasadena, mas não conhecia. Recentemente, ela deu uma entrevista ao jornal O Globo ao descobrir, quando assumiu a estatal, a existência do colegiado, que não respondia à diretoria da estatal e tinha como representante o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal na operação Lava Jato. Segundo ela, tudo indica que o comitê se reuniu uma ou no máximo duas vezes, sem ela saber.

A presidente afirmou que a estatal já investiu US$ 685 milhões na refinaria de Pasadena - além dos total de US$ 1,25 bilhão pago pela unidade na cidade do Texas, nos Estados Unidos. "Fizemos investimentos ao longo dos anos para que ela performace bem hoje", afirmou. Segundo Graça, o investimento (capex) médio da estatal em cada uma das suas refinarias é de US$ 314 milhões.

Segundo a executiva, Pasadena produz atualmente 100 mil barris de petróleo por dia. Ela também disse que a unidade norte-americana comprada gerou lucro no primeiro trimestre deste ano.

Graça Foster afirmou ainda que há compradores interessados na refinaria. Mas a opção da empresa é não vender agora. "Temos propostas da venda para Pasadena, melhores do que as que foram colocadas há meses atrás", disse. "Entendemos que num ano que temos uma pauta cheia de Pasadena em TCU, CGU, não seria uma boa decisão um desinvestimento", comentou.

"A decisão da diretoria é que Pasadena está fora do pacote de desinvestimento", destacou.

Perdas

A executiva disse ainda que os produtores de etanol não acompanharam a evolução do mercado de combustíveis, o que explicaria as perdas registradas pelo setor. "Houve uma perda de competitividade do etanol", afirmou. "Faltou ao setor sucroalcooleiro acompanhar mercado de combustíveis", disse.

A executiva também afirmou que Petrobras tem segurado suas margens de faturamento para não repassar totalmente a volatilidade do mercado de combustíveis para o preço da gasolina. "Uma empresa que tem 100% do mercado não pode passar a volatilidade para a bomba", afirmou. Graça, contudo, afirmou que a empresa precisa recuperar margens.

Ela destacou o crescimento de 3% no mercado de derivados em 2013 e afirmou que a estatal irá retomar a produção nos próximos meses. "É uma questão de tempo", afirmou.

Graça afirmou que grandes petroleiras do mundo perderam volume de produção nos últimos anos. "Na média, todas perderam 16% da produção de petróleo. E a Petrobras cresceu 7%", disse.

Durante a exposição em audiência pública a duas comissões do Senado, ela disse que de 2002 a 2013 a produção da estatal cresceu 34%. "Temos relação reserva/produção de 20 anos, acima da média de outras petroleiras", disse. Segundo a executiva, outras empresas possuem uma relação de reserva/produção em torno de 12 ou 14 anos.

Graça afirmou ainda que "pelo 22º ano, temos descoberto mais do que produzido". "Isso traz segurança energética para o Brasil e rentabilidade para a companhia", afirmou.

A executiva destacou ainda que todos operadores da indústria de petróleo e gás têm grande problema de custos elevados e disse que a Petrobras investiu US% 91 bilhões nos últimos dois anos. "Nossa produção é crescente e vamos alcançar 4,2 milhões de barris em 2020", destacou. (Colaborou Carla Araújo)