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Graça: prisão de ex-diretor foi 'grande constrangimento'

RICARDO BRITO E NIVALDO SOUZA - Agência Estado

15 Abril 2014 | 14h 17

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, admitiu nesta terça-feira, 15, que há um "grande constrangimento" da estatal por conta da prisão do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Ele foi preso pela operação Lava Jato, da Polícia Federal. "Existe e aconteceu um grande constrangimento para a Petrobras com a prisão do ex-diretor", afirmou, em depoimento a duas comissões temáticas do Senado.

Graça Foster disse que pouco depois que assumiu a direção da estatal Paulo Roberto deixou a diretoria da estatal. "Eu indiquei para o conselho pessoas com que trabalhava há muitos anos", frisou ela, ao citar que tem adotado na sua gestão uma série de práticas para melhorar o controle interno na estatal.

A presidente da estatal disse que todos os contratos da diretoria internacional da Petrobras, que ficavam sob a alçada de Paulo Roberto, estão sendo avaliados e monitorados. "Tanto a diretoria anterior como está são diretorias técnicas. Esta eu tenho responsabilidade sobre ela", destacou.

Graça Foster reconheceu que os US$ 341 milhões pagos pela estatal em Pasadena para criar uma comercializadora (trading) de combustíveis foram em grande parte pelo conhecimento da sócia belga Astra no negócio. Até agora, a companhia sustentava que o valor tinha sido aplicado em estoques. "O maior valor foi o conhecimento que o grupo Astra tinha na região", disse.

Desta forma, a Petrobras muda o discurso e reconhece ter pagado por um valor intangível, e não por um ativo, como vinha repetindo à imprensa e a autoridades.

A presidente da Petrobras rebateu a afirmação do vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), de que a estatal passa por um "abismo ético". Em depoimento a duas comissões do Senado, ela disse que não se pode medir a estatal, que tem cerca de 80 mil funcionários, por uma única pessoa.

"Definitivamente eu não concordo com o senhor e eu digo graças a Deus", afirmou. "A Petrobras não pode ser medida por um comportamento que não é digno da sua força de trabalho. Não podemos ser medidos por uma pessoa e as pessoas com que ela interage na nossa companhia. Não vivemos no abismo da ética", completou, em depoimento a duas comissões no Senado.

SBM

A presidente da Petrobrás afirmou que a investigação interna feita em relação às denúncias de suposto pagamento de propina da empresa holandesa SBM para funcionários da estatal não identificou nenhuma prática que causasse danos à companhia. Ela disse que a abertura da comissão, logo após a publicação na imprensa do caso, é prática comum na estatal.

"Nós entendemos que é importante fazermos uma apuração interna, porque um dos nossos diretores foi citado em um documento interno", afirmou. "Nós fizemos um trabalho bastante grande, a comissão esteve na Holanda, e nós, dentro daquilo que é atribuição da Petrobras, não encontramos nenhuma prática deletéria para a companhia", disse há pouco, em depoimento a duas comissões do Senado.

A presidente da estatal ressalvou que a empresa não dispõe dos instrumentos de investigação da Polícia Federal, da Controladoria Geral da União, do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público. "Nós temos ações limitadas, dentro daquilo que é processo da companhia, não identificamos nenhuma prática deletéria", reafirmou.

Graça disse ter encaminhado a órgãos de investigação os resultados da apuração interna feito pela estatal.

Urucu-Coari-Manaus

Graças Foster afirmou em audiência pública no Senado que aguarda uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre supostas irregularidades na construção do gasoduto Urucu-Coari-Manaus. "Tivemos atraso de menos de um ano numa obra espetacular, com 700 quilômetros de tubulação", disse. "Aguardamos agora a posição do TCU", disse.

O tribunal apontou suposta irregularidade por parte da Transportadora Amazonense de Gás (TAG), subsidiária da Petrobras, e o Consórcio Gasoduto Amazônia nas obras do gasoduto. O tribunal identificou falta de registros de cerca de R$ 56,9 milhões nas planilhas de custos envolvendo o transporte de materiais por balsas, impedindo a fiscalização dos gastos pelo TCU, em função de "itens descritos de forma genérica".

A decisão inicial do órgão fiscalizador foi a punição de executivos envolvidos, que posteriormente foram liberados do pagamento de multas após prestarem esclarecimentos ao TCU. Apesar do perdão, o tribunal manteve nos autos do processo que "a Petrobras não se manifestou quanto a forma indevida de apresentação das planilhas de medição que prejudicam a fiscalização" e determinou que 2º Grupamento de Engenharia de Construção do Comando do Exército passe a elaborar orçamentos de obras na região, apontado eventuais despesas indiretas que possam ocorrer. (Colaborou Sabrina Valle)