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Graça evita comentar CPI em audiência de 'bate-bocas'

ERICH DECAT, RICARDO DELLA COLETTA E EDUARDO BRESCIANI - Agência Estado

30 Abril 2014 | 13h 41

A presidente da Petrobras, Graça Foster, considerou nesta quarta-feira, 30, que não tinha conhecimento para "precisar sobre a necessidade ou não" da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a estatal no Congresso.

"Como cidadã eu não tenho nenhum comentário a fazer, não posso comentar. Não tenho conhecimento dos senhores para precisar sobre a necessidade ou não. Como presidente da Petrobras tenho dever de atendê-los, comparecer, atender a todos vocês", afirmou a presidente da estatal, que participa hoje de audiência na Câmara dos Deputados.

O presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) marcou para a próxima terça-feira uma reunião com os líderes do Senado e da Câmara para discutir um cronograma de instalação da CPI mista da Petrobras. O senador também confirmou a disposição de recorrer da decisão da ministra do STF Rosa Weber que determinou a instalação da investigação exclusiva da estatal no Senado.

Na audiência, Graça voltou a afirmar que a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, "não foi um bom negócio". Ela ressaltou por diversas vezes, entretanto, que essa análise de um "mau negócio" é feita apenas com os dados atuais e que na época a estatal fez um projeto "muito razoável".

"Naquele momento (compra de Pasadena) a Petrobras fez um projeto muito razoável do ponto de vista econômico. No conjunto da análise não foi um bom negócio, mas na época foi um negócio potencialmente bom", afirmou a presidente da estatal, que participa de audiência na Câmara dos Deputados.

Segundo ela, não há previsão de novos investimentos na refinaria situada nos EUA por parte da Petrobras. "Reverter prejuízos em Pasadena não é hoje a prioridade da Petrobras. Mais investimentos em Pasadena dependem de várias situações.

Graça também falou sobre a permanência de Nestor Cerveró (ex-diretor da área internacional da Petrobrás, responsável pelo resumo técnico que embasou a compra de Pasadena) na estatal. Segundo ela, não poderia opinar sobre o tema. "Não posso responder porque Ceveró não foi demitido. Não fazia parte do conselho à época".

Bate-boca

A audiência pública virou um campo de batalha política entre a oposição e deputados fiéis ao Palácio do Planalto. Enquanto os tucanos bombardearam Graça com perguntas sobre a transação, que gerou um prejuízo bilionário à estatal, petistas tentam blindar a convidada da reunião.

Deputados do PT levantaram por diversas vezes questões de ordem lembrando que, pelo regimento, Graça não tinha a obrigação de responder perguntas sobre temas alheios ao requerimento que deu origem à audiência pública, por ser convidada e não convocada -- além de Pasadena, a reunião visa debater as acusações de pagamento de propina envolvendo a estatal e a holandesa SBM Offshore.

Ela foi questionada, por exemplo, sobre a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Em meio ao embate, a presidente da Petrobras optou por abordar o tema, mesmo não sendo obrigada a fazê-lo.

Durante a audiência, os deputados da oposição disseram que as explicações dadas por Graça não foram convincentes e disseram haver contradições entre as justificativas já apresentadas pelo ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró e pela própria presidente da República, Dilma Rousseff. A cada intervenção desse tipo, ocorreu discussão e bate-boca entre petistas e parlamentares da oposição.