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Graça confirma: resumo omitiu cláusulas 'put option'

RICARDO BRITO E NIVALDO SOUZA - Agência Estado

15 Abril 2014 | 11h 40

A presidente da Petrobras Maria das Graças Foster afirmou nesta terça-feira, 15, no Senado. que em nenhum momento foram citadas duas cláusulas no resumo executivo para justificar a operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). Em depoimento a duas comissões do Senado, ela disse que as cláusulas Put Option e a Marlim não constavam do resumo.

Segundo ela, a autorização para a compra de 50% da operação foi estimada no valor de US$ 359 milhões. Graça disse que não há operação 100% segura.

"Ele (o resumo) deve conter todas as informações necessárias e suficientes para a devida avaliação do que se deve fazer. E, além disso, é necessário apontar os pontos fortes e fracos da operação. Não tem operação 100% segura", destacou.

Conforme reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, Dilma votou, quando comandava o Conselho de Administração da estatal, a favor da operação mesmo tendo se embasado em um resumo falho e incompleto. Em 2012, a estatal concluiu a compra da refinaria e pagou ao todo mais de US$ 1,2 bilhão por Pasadena, que, sete anos antes, havia sido negociada por US$ 42,5 milhões à ex-sócia belga, como havia relevado o Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado.

A compra se embasou em resumo feito pelo ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Numa referência indireta a Cerveró, Graça disse que é obrigação de quem apresenta o projeto mostrar os pontos fracos e fortes.

Graça esclareceu que "Put" é cláusula bastante comum em contratos, "mas é preciso

conhecer também o put price (preço de saída)". Já quanto a cláusula de Marlin, disse que foi imposta ao parceiro, quando a refinaria fosse reformada.

Importância

Graças Foster, afirmou ainda que a refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), é de "grande importância por estar dentro do maior mercado consumidor de combustível".

Em depoimento a duas comissões do Senado, ela disse que o consumo de gasolina nos Estados Unidos por dia é de 8,5 milhões de barris. No Brasil, a título de exemplo, são 736 mil barris diários. "Tudo isso mostra o quanto são volumosas as atividades", destacou.

Segundo ela, o propósito de se estar em Pasadena era capturar a grande margem do óleo pesado nos Estados Unidos e melhorar o processo de refino.